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Jornalismo para mulheres ou por mulheres

  • Foto do escritor: Estefane S. Worst
    Estefane S. Worst
  • 18 de jan.
  • 2 min de leitura

No início da imprensa brasileira, o jornalismo para mulheres era um nicho real, mas o feito por elas era raridade.



O jornalismo para mulheres


Quando olhamos para os periódicos dos primórdios da imprensa brasileira, a folha “A mulher do simplício ou a fluminense exaltada" chama atenção tanto por seu nome curioso como por ser escrito com uma voz feminina em 1832. A publicação defendia as ideias dos exaltados, ou seja, dos liberais mais radicais. Sua personagem servia como modelo de mulher patriota que clamava pelo direito de manifestar sua opinião. 


Folha do “Mulher do Simplício”.
Folha do “Mulher do Simplício”.

Mas, ironicamente, apesar de ser direcionado para mulheres e ter uma voz feminina, o jornal era escrito por um homem.


O jornalista e editor Francisco de Paula Brito, que iniciou o movimento editorial brasileiro, sendo considerado o precursor da imprensa e do mercado literário no Brasil e o principal editor da sua época, pioneiro ao publicar literatos brasileiros de forma remunerada. Mas, além disso, era negro, amigo de Machado de Assis e fazia parte do partido exaltado.


Mesmo com todos esses ideais revolucionários e vendo no mercado feminino um nicho para ser conquistado, o editor não pensou em contratar uma mulher para lhe ajudar a redigir a folha.


Francisco de Paula Brito
Francisco de Paula Brito

O jornalismo por mulheres


Isso não significa que não existissem mulheres jornalistas na época: elas só eram mais raras.


O jornal das Senhoras, um pouco mais tardio, de 1852, vai ser escrito e editado por uma mulher, além de direcionado a elas. Juana Manso é a primeira mulher brasileira na direção do primeiro periódico feminino. A folha tem um tom interessante, ao mesmo tempo que defende a educação feminina. Tem também uma conformidade com os costumes da época e aqueles que eram considerados assuntos femininos. Uma das seções que chama mais atenção é composta por relatos de mulheres se formando na educação superior pelo mundo e de universidades que iriam abrir pela primeira vez turmas femininas.


O Jornal das Senhoras
O Jornal das Senhoras

Mas não só de jornais direcionados às mulheres que viviam as jornalistas do passado.


Maria Josefa da Fontoura Pereira Pinto é considerada a primeira jornalista brasileira. A gaúcha fundou dois jornais em 1833, enquanto lutava para sobreviver depois que seu marido desapareceu sem deixar vestígios. Seus jornais eram legalistas, ou seja, a favor do governo monárquico e contrário ao partido dos exaltados.


Podemos ver que as mulheres já eram vistas com um mercado significativo para jornais e para a cultura já nessa época e, mesmo que em poucas, elas já estavam presentes no outro lado desta indústria também, produzindo conteúdos para mulheres e por mulheres.



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