Por que os homens ganharam destaque em evento da Copa do Mundo Feminina?
- Bruna Fernandes
- há 3 dias
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Evento da FIFA retrata a desigualdade entre homens e mulheres.

No Rio de Janeiro, uma cerimônia realizada para revelar a identidade visual da Copa do Mundo Feminina de Futebol, que acontecerá no Brasil em 2027, teve apresentação do presidente da FIFA, Gianni Infantino, que revelou a marca oficial do torneio: o emblema, o slogan e uma identidade inspirada nas cores e formas do Brasil.
Com transmissão ao vivo pela TV Globo dentro do programa “Esporte Espetacular”, houve grande repercussão também em outros canais de televisão e na internet. Felizmente, a pauta sobre a falta de representatividade de mulheres em um evento sobre mulheres — e convenhamos que era um evento de grande alcance —, virou notícia em diversos meios de comunicação.
As mulheres foram colocadas para escanteio
Com 32 seleções participantes, a Copa do Mundo Feminina de 2027 será a 10ª edição do campeonato e será realizada pela primeira vez na América do Sul. A masculina conta com 23 edições, tempo suficiente para que os jogadores sejam conhecidos em qualquer lugar que eles estejam.
O número de jogadoras que participarão da Copa em 2027 ainda não foi divulgado, mas, em 2023, eram 736 mulheres jogando na Copa do Mundo daquele ano. É possível que esse número chegue a isso (ou mais) no ano que vem. Então, será tão difícil ter mais mulheres em destaque em um evento que é feito para celebrar o futebol feminino?
Além de ocultar a pauta feminina, a organização utilizou do palco e da divulgação de um evento feminino para homenagear jogadores homens e falar sobre a Copa do Mundo Masculina de 2026.
Pelo caminho onde as mulheres precisaram passar para que chegassem até a disputa de uma Copa do Mundo, não houve apoio, não houve dinheiro e a perspectiva de sucesso é mínima. O evento da Fifa seria o momento perfeito para engrandecer as mulheres que não desistiram de jogar futebol, que precisavam ajudar em casa com dinheiro, que viam os seus familiares preocupados se elas teriam futuro como jogadoras, que escutavam muitos insultos machistas, mas escolheram seguir firmes acreditando nos seus sonhos. Elas, sim, deveriam ter sido aplaudidas de pé por suas histórias de luta e de perseverança.
É por causa dessas mulheres que a Copa do Mundo Feminina chegou até aqui e está cada vez maior. É pela história e pelo talento delas que muitas meninas seguem sonhando em serem reconhecidas como jogadoras de futebol, assim como Roseli de Belo, Pretinha, Sissi, Formiga, Tamires, Marta, Cristiane e tantas outras jogadoras.
Seja qual for o resultado, a Copa do Mundo de 2027 já entrou para a história feminina e é um orgulho para o nosso país. O que vimos no evento da Fifa deve ser inaceitável. Está mais do que na hora de valorizar as nossas jogadoras de futebol, que são atletas de alto nível e que merecem muito mais do que a taça de campeãs do mundo: são dignas de respeito e visibilidade.


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