Visibilidade Trans: o direito de existir e a força de ocupar o mundo
- Barbara Schreurs

- 29 de jan.
- 2 min de leitura
Janeiro se veste de cores e coragem para celebrar a Visibilidade Trans.

Hoje, a nossa coluna reflete sobre a importância de ocupar espaços, romper silêncios e construir pontes de respeito. Entre a luta histórica e o brilho da existência, convidamos você a olhar para o mundo sob a perspectiva de quem reescreve a própria história todos os dias.
No dia 29 de janeiro de 2004, os degraus do Congresso Nacional em Brasília foram ocupados por vozes que, por muito tempo, foram mantidas às margens. A campanha "Travesti e Respeito" não era apenas um pedido por tolerância, mas um grito por dignidade. Vinte e dois anos depois, ao celebrarmos o Dia Nacional da Visibilidade Trans, o convite que fazemos aqui é para uma reflexão profunda: o que significa, de fato, dar visibilidade a essas trajetórias?
Frequentemente, a palavra "visibilidade" é confundida com o simples ato de ver. Mas, para a comunidade trans, ser vista nem sempre significou ser acolhida. Historicamente, esse olhar foi de estigma ou de fetiche. Visibilidade real, traduz-se no reconhecimento de identidades plurais. É garantir que o nome social não seja apenas uma burocracia, mas o espelho da alma.
Não podemos falar de pautas femininas sem incluir as mulheres trans. Elas enfrentam uma dupla camada de desafios: o machismo que tenta silenciar o feminino e a transfobia que tenta invalidar a sua existência. Quando uma mulher trans ocupa um cargo de liderança, escreve um livro ou simplesmente caminha segura na rua, ela está expandindo as fronteiras do que o mundo entende por "ser mulher".
Ser uma aliada vai além de postar uma hashtag no dia 29. Isso envolve:
Educar-se: Não esperar que pessoas trans façam o trabalho pedagógico de explicar termos básicos.
Ocupar espaços: Se você está em um lugar de decisão, questione: por que não há pessoas trans aqui comigo?
Escuta ativa: Ler autoras trans, consumir sua arte e validar suas vivências sem julgamentos.
A visibilidade é o primeiro passo para a cidadania. Que este mês de janeiro nos lembre que a liberdade de uma mulher só é plena quando todas as mulheres em todas as suas formas de ser estar no mundo, também forem livres. O mundo precisa da pluralidade dessas vozes para se tornar, finalmente, um lugar mais justo.




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