Dia Internacional da Moda destaca mulheres que ajudaram a construir a identidade da moda brasileira
Celebrada em 21 de agosto, a data chama atenção para a influência da moda na cultura, no comportamento e na sociedade; no Brasil, nomes como Zuzu Angel e Fernanda Yamamoto representam diferentes momentos dessa trajetória.

Mais do que acompanhar tendências, a moda também pode representar cultura, identidade e posicionamento. Celebrado em 21 de agosto, o Dia Internacional da Moda é utilizado para destacar a importância do setor e sua influência na sociedade. Apesar de ser uma data difundida internacionalmente, a origem da comemoração não é conhecida com precisão.
No Brasil, a história da moda é marcada pela participação de mulheres que contribuíram para transformar o modo como a identidade nacional é representada por meio das roupas. Entre esses nomes está Zuleika de Souza Netto, conhecida como Zuzu Angel, que se tornou uma das principais referências da moda brasileira a partir dos anos 1960.
Zuzu Angel e a moda como forma de resistência
Nascida em Curvelo, Minas Gerais, em 1921, Zuzu Angel construiu uma carreira de projeção internacional e ficou conhecida por incorporar elementos da cultura brasileira em suas criações. Rendas, chitas, pedras brasileiras, bambu, madeira e conchas apareciam em peças que buscavam valorizar referências nacionais.
A trajetória da estilista, porém, ultrapassou as passarelas. Em 1971, seu filho, Stuart Angel Jones, foi preso, torturado e assassinado por agentes do Estado durante a ditadura militar. A partir do desaparecimento do filho, Zuzu passou a utilizar sua visibilidade para denunciar as violações cometidas pelo regime.

A estilista levou essa denúncia para a própria moda. Em um desfile realizado em Nova York, em 1971, apresentou peças com símbolos relacionados à repressão, como tanques, grades, anjos e pássaros engaiolados. O trabalho ficou marcado como uma das manifestações mais emblemáticas da relação entre moda e posicionamento político no Brasil.
A importância de Zuzu também foi reconhecida oficialmente. Em 2017, seu nome foi incluído no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria em razão de sua atuação contra a ditadura e da busca pelo filho desaparecido.
Novas gerações e outras formas de criar
A presença feminina na moda brasileira também se estende às novas gerações de estilistas. Fernanda Yamamoto é um exemplo de profissional que trabalha a relação entre criação, identidade e sustentabilidade. A estilista desenvolve suas coleções dentro da proposta de slow fashion, modelo que prioriza produções em menor escala, maior durabilidade das peças e valorização dos processos envolvidos na fabricação. A marca também destaca relações de longo prazo com fornecedores, artesãos e projetos sociais.
Para Yamamoto, o vestir está relacionado à expressão individual. A proposta da marca considera a roupa como uma forma de exteriorizar valores, criatividade e personalidade, aproximando a moda de questões que vão além da aparência.
A atuação da estilista também já foi analisada em pesquisas acadêmicas relacionadas à moda consciente. Um estudo publicado na revista dObra[s], da Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas em Moda, analisou um trabalho de Yamamoto a partir de conceitos como slow fashion, sustentabilidade e a aproximação entre moda e arte.

Moda brasileira entre identidade e transformação
As trajetórias de Zuzu Angel e Fernanda Yamamoto representam momentos diferentes da moda brasileira, mas apresentam um ponto em comum: a utilização da roupa como instrumento de expressão.
Enquanto Zuzu incorporou referências culturais brasileiras e transformou suas criações em uma forma de denúncia política, Yamamoto trabalha questões ligadas à sustentabilidade, ao processo de produção e à relação entre roupa, corpo e identidade.
A moda, nesse sentido, acompanha as transformações da sociedade. Mudam os materiais, as formas de produção e os hábitos de consumo, mas permanece a capacidade de comunicar ideias por meio do que é vestido.
No Dia Internacional da Moda, a data serve não apenas para celebrar estilistas, marcas e tendências, mas também para lembrar que a história da moda é construída por pessoas que encontram nas roupas uma maneira de contar histórias. No Brasil, mulheres como Zuzu Angel mostram que essa narrativa pode ultrapassar as passarelas e se tornar parte da própria história do país.




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