“Predador sexual perigoso” que coagia mulheres a abusar de crianças é condenado a 26 anos de prisão
- Hellica Miranda

- há 7 horas
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Criminoso usava tática de sedução on-line para envolver mulheres em abusos. Práticas de pornografia infantil crescem.

Um homem descrito como um "predador sexual perigoso", que coagiu mulheres a participar de abusos infantis para sua "própria gratificação sexual", foi preso e condenado a 26 anos de prisão em Hampshire, Inglaterra, na última sexta (13).
Elliot Jones, de 49 anos, de Norfolk, abusou de oito crianças — meninos e meninas — ao longo de um período de seis anos. Na sexta-feira, 13, o Tribunal de Winchester o sentenciou por 17 acusações de crimes sexuais contra crianças, três de produção de imagens indecentes e uma de chantagem.
Além de Jones, três mulheres que ele “coagiu, pressionou e manipulou” para lhe enviar vídeos dos abusos também foram condenadas:
Sarah Johnson, de 57 anos, de Andover

Condenada a 11 anos de prisão, com um período estendido de licença (liberdade vigiada) de um ano. Ela responde por 12 crimes sexuais contra crianças e produção/distribuição de imagens indecentes. O promotor do caso revelou que Jones chantageava Johnson para garantir a continuidade dos abusos.
Heidi Ludbrook, de 45 anos, de King’s Lynn

Condenada a 7 anos de prisão. Suas acusações incluem conspiração para envolver crianças em atividades sexuais e a produção/distribuição de imagens indecentes.
Catarina Araujo, de 46 anos, de Dereham
Recebeu uma pena de 12 meses de prisão, suspensa por um ano, por tirar e distribuir fotografias indecentes de crianças.
O modus operandi
Segundo o promotor Barry McElduff, Jones utilizava aplicativos de namoro para contatar mulheres e atingir mais vítimas: “Havia uma estratégia clara: ele fazia amizade online, iniciava conversas, ultrapassava limites com temas sexuais e, eventualmente, migrava para o tópico de abuso infantil para testar até onde elas iriam”, explicou McElduff.
Jones não apenas recebia material dessas mulheres, mas também abusou pessoalmente de algumas das vítimas.
A decisão do juiz
Para o juiz Adam Feest KC, Jones foi uma “influência destrutiva” que causou danos psicológicos profundos não apenas às crianças, mas também às mulheres que ele instrumentalizou. “O risco que você representa é da mais alta ordem e improvável de diminuir”, afirmou o magistrado diretamente ao réu. Apesar de a defesa de Jones sustentar que ele se arrepende dos crimes, a acusação, representada por John Montague, foi categórica: as ofensas persistentes do criminoso deixaram marcas indeléveis em inúmeras vítimas por quase uma década.
Pornografia infantil
A pornografia infantil é uma temática em que os dados são alarmantes e têm crescido rapidamente devido ao ambiente digital. De acordo com os relatórios mais recentes das principais organizações internacionais de proteção à infância (como NCMEC, IWF e INHOPE), 2024 e 2025 marcaram níveis recordes de detecção e denúncia, com o volume de material de abuso sexual infantil (CSAM: Child Sexual Abuse Material) atingindo patamares históricos.
Em 2024, a rede INHOPE (rede global de hotlines) iniciou a remoção de 2,5 milhões de URLs contendo material suspeito, um aumento de 218% em relação ao ano anterior.
Ainda em 2024, a IWF (Internet Watch Foundation) confirmou a presença de material criminoso em mais de 290 mil páginas, um aumento de 6%. Em 2025, esse número subiu para mais de 312 mil, o pior ano já registrado pela organização.
Apenas no ano retrasado, o NCMEC (National Center for Missing & Exploited Children) processou denúncias contendo 62,9 milhões de arquivos — fotos e vídeos.
A IA generativa complicou ainda mais o cenário, facilitando a criação de material sintético realista. Com isso, o NCMEC registrou um aumento de 1325% em denúncias envolvendo IA entre 2023 e 2024.
A IWF relatou um “crescimento assustador” de 26362% em vídeos gerados por IA fotorrealistas em 2025 (saltando de 13 vídeos em 2024 para 3400 em 2025).
Cerca de 65% dos vídeos gerados por IA no ano passado foram classificados pela IWF como Categoria A (extrema, que envolve tortura e/ou abuso extremo).
Os dados mostram, ainda, uma vulnerabilidade desproporcional entre meninas e crianças muito jovens. 98,7% das vítimas identificadas em vídeos reportados à INHOPE em 2024 eram do sexo feminino. 93% das gravações envolviam crianças com menos de 13 anos.
A IWF aponta que 91% das imagens indecentes confirmadas em 2024 foram classificadas como “geradas pelo próprio menor”, muitas vezes sob manipulação ou sextorsão (extorsão sexual).


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