Dia Mundial do Rock: despertando com a Violett
- Hellica Miranda

- 13 de jul.
- 4 min de leitura
Banda do interior de SP domina os palcos com hits atemporais e singles originais.

O clássico rock’n’roll
O rock, em sua essência, sempre foi um exercício de liberdade. Entre distorções e atitudes que desafiam o status quo, o gênero se consolidou como uma plataforma de transformação social e expressão individual. Neste Dia do Rock, celebramos essa força que atravessa gerações através do olhar e do som da banda Violett. Em nossa entrevista exclusiva, exploramos como o grupo canaliza a intensidade dessa vertente musical para criar uma identidade própria, discutindo os processos criativos e a realidade de quem vive o rock com autenticidade.
A identidade da Violett surgiu muito naturalmente. Todas nós crescemos ouvindo muito rock e metal, mas cada uma trouxe referências diferentes. Então acabou virando uma mistura de peso, melodias marcantes e letras que falam muito sobre sentimentos e experiências humanas.
— Banda Violett
O Dia Mundial do Rock é celebrado anualmente em 13 de julho e consagra a data em que, em 1985, o mundo se uniu em um clamor musical por causas humanitárias. Mais do que recordar um evento histórico, celebramos a capacidade do gênero de transpor fronteiras, questionar normas e dar voz a gerações que fazem da música o seu principal instrumento de transformação.
Formada na cidade de Itu (SP), a banda Violett conta com Camila Doná nos vocais, Andressa Marques na guitarra, Ana Julia Nihil no baixo e Júlia Baats na bateria. Em entrevista ao Musixe, a banda conta que o nome Violett surgiu devido à força estética da cor: “O nome VIOLETT surgiu justamente por já carregar uma identidade visual forte. Passamos a construir uma conexão com o público criando uma memória associada à cor roxa”.
A banda conta que “já teve muitas primeiras vezes”, mas que uma das mais memoráveis foi a gravação, com uma grande produção, de “Despertar” — single composto para a participação em um concurso, que o grupo venceu —: “nos fez perceber que estamos conquistando coisas que sempre sonhamos. Mas de situações onde olhamos e damos risada, acontece muito na estrada e nos palcos, afinal nos damos muito bem então sempre saem várias pérolas na nossa convivência”.
O rock como cenário masculino
Historicamente, o cenário do rock foi construído sob uma predominância masculina que, por muito tempo, relegou as mulheres a papéis periféricos ou estéticos, desafiando-as a romper barreiras constantes para serem reconhecidas por sua musicalidade e atitude.
No entanto, esse panorama vem passando por uma transformação profunda e necessária, com a cena contemporânea sendo impulsionada por vozes femininas que reivindicam seu protagonismo e desafiam os padrões estabelecidos.
De ícones pioneiros que abriram caminhos, como a força visceral de Janis Joplin e o legado lendário de Joan Jett e Patti Smith, a novas gerações e grupos que redefinem o gênero — como a energia contagiante das The Runaways, a influência de Courtney Love no grunge, o impacto das Bikini Kill no movimento riot grrrl e a versatilidade de artistas atuais como St. Vincent e Phoebe Bridgers —, o rock hoje é, cada vez mais, um espaço plural, onde a criatividade e a subversão feminina ocupam, por direito, o centro do palco.
Sobre esse assunto, as meninas da Violett pontuam que, se a Violett puder inspirar outras meninas a acreditarem que elas também pertencem a esse lugar, ficarão muito felizes.

Quando perguntadas a respeito de com quais artistas femininas gostariam de dividir o palco, as meninas pontuam que é uma questão difícil, mas citam Amy Lee, Lzzy Hale, Nita Strauss e Joan Jett.
Desafios

A caminhada do grupo foi definida pela resiliência: no começo, a dificuldade era agregar musicistas em sintonia, inclusive geográfica, como já declarado anteriormente pelo grupo. Somado a isso, o fato de lidarem com um mercado frequentemente restrito impôs que tomassem as rédeas de todos os aspectos de sua jornada: “Somos responsáveis pelo financeiro, agendamentos, design, composição, logística — absolutamente tudo. E fizemos isso sem contar com ajuda externa”, afirmam. Essa postura “mão na massa” preparou o terreno para o profissionalismo que a banda exibe hoje em dia, nos palcos e fora deles.
Camila, Andressa, Ana Julia e Júlia também enfrentaram a incredulidade do público: “No começo a gente ouviu alguns comentários do tipo "vamos ver se elas realmente tocam". Então a melhor resposta sempre foi subir no palco e fazer nosso trabalho da melhor forma possível.”
E, desde então, o grupo vem se provando forte, resiliente e sábio, como sugere a cor violeta.
Rock’n’roll e rebeldia

Desde o seu surgimento, o rock’ n’ roll consolidou-se como a trilha sonora definitiva da rebeldia, funcionando como uma ferramenta de ruptura geracional e contestação social. Muito além dos acordes distorcidos e da energia frenética no palco, o gênero tornou-se a voz de jovens que buscavam desafiar o status quo, romper com valores conservadores e reivindicar sua própria identidade.
Ao transformar a insatisfação em atitude e a música em um manifesto, o rock não apenas desafiou as normas comportamentais da época, mas também abriu caminho para questionamentos políticos e culturais que, até hoje, ecoam na essência de cada movimento que busca, através do som, transformar o mundo ao seu redor.
Pra mim, rebeldia não é sair contra tudo. É ter coragem de ser quem você é, mesmo quando esperam outra coisa de você. Acho que o rock mo sempre foi muito sobre autenticidade.
Novidades
Donas dos singles “Despertar”, “It’s You”, “Rollercoaster” e “Reason”, além de um repertório que passa desde os anos 1960 até os anos 2000, — e vencedoras do 22º Festival de Rock de Indaiatuba — as meninas da banda Violett contam que, para o segundo semestre de 2026, já têm clipes e singles prontos, só esperando para serem lançados, e completam: “Também estamos trabalhando num trabalho um pouco mais denso, como um álbum, mas ainda não posso contar tudo!”




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