Marilyn Monroe: entre a fama, os sonhos e as dores de uma lenda
- De Mulher Para o Mundo
- 24 de jun.
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Norma Jeane Mortenson passou por diversos lares abusivos, foi molestada ainda criança e forçada a se casar aos 16 anos. Anos depois, se tornou o maior nome de sua época: Marilyn Monroe, estrela absoluta.

Infância e primeiros anos de Marilyn

Nascida Norma Jeane Mortenson, em 1º de junho de 1926 em Los Angeles, a futura estrela era filha de Gladys Pearl Monroe, que sofria de esquizofrenia. Por conta disso, Marilyn passou boa parte da vida em lares adotivos e orfanatos.
Sua família era composta por seus dois irmãos Robert e Berniece. Aos 12 anos, ela descobriu uma irmã, com a qual só teve contato depois de adulta. Chegou a ser levada com uma família adotiva para Califórnia, e sua mãe inicialmente a visitava sempre. Porém, sua condição começou a piorar e ela passou anos presa em hospitais psiquiátricos, tendo contato com os filhos apenas através de visitas dos mesmos. O pai de Jeane nunca foi revelado.
A menina foi declarada responsabilidade do Estado, e Grace Goddard assumiu todos os assuntos referentes a ela e a sua mãe.
Marilyn viveu com seus pais adotivos até 1935, quando passou a viver com Grace e seu marido. A atriz conta que foi abusada durante esse período por um dos pais adotivos, ainda quando criança.
Foi colocada em um orfanato, mas, depois, retornou aos cuidados de Grace. No entanto, o marido de sua cuidadora, Erwin Doc Goddard, a molestou, o que levou a jovem a morar com parentes de sua guardiã.
Em 1938, ela encontrou um lar permanente e com certa “paz” com a tia de Grace, Ana Atchison Lower, no oeste de Los Angeles. Todavia, precisou retornar em 1940 para a casa do seu molestador, por conta de problemas de saúde de Ana. Em 1942, a família postiça de Marilyn teria que se mudar para Virgínia Ocidental, porém, por conta da legislação da época, não poderiam levar a adolescente junto, que corria o risco de retornar ao orfanato. A solução encontrada foi um casamento apressado com seu vizinho, James Dougherty, que tinha 21 anos. Assim que Marilyn completou 16 anos, se casou, em 19 de junho de 1942, passando a ser propriedade de seu marido. A jovem precisou abandonar a escola.

Marilyn conta que ambos não conversavam direito, estava sempre com tédio e sua relação não a fazia feliz.
Seu marido foi convocado para servir na ilha de Santa Catalina, depois seguiu para o Oceano Pacifíco e ficou dois anos longe de casa. Nesse período, a adolescente passou a morar com os sogros e a trabalhar na fábrica de drones que ajudavam o exército.
O começo de tudo

Enquanto trabalhava na fábrica, Marilyn foi abordada pelo fotógrafo David Conover. Ele foi enviado para fazer fotos das mulheres que trabalhavam na indústria, buscando incentivar a população feminina. Entre suas fotografias estava a jovem Jeane, que encantou David com seu sorriso e fotos espontâneas. Nenhuma das fotos de Jeane foram utilizadas, mas ela parou de trabalhar na fábrica no ano de 1945 e passou a modelar para David e outros fotógrafos. Foi então que começou a pensar em nomes artísticos: passou a ser conhecida como Jean Norman, pintou seus fios, transformando-se em loira e conquistou mais atenção dos publicitários. A estratégia funcionou e seus cabelos loiros passaram a ser sua marca registrada.
Até 1946, Marilyn já estampava 33 capas de revistas voltadas ao público masculino. Emmeline Snively, que estava à frente da agência Blue Book Model, estava impressionada com Jeane, e lhe arranjou um contato com uma agência de atrizes. Foi nesse trabalho que ela conheceu Ben Lyon, executivo da Century-Fox, que lhe ajudou a conseguir um teste para o cinema. Apesar de não ter se saído muito bem, conseguiu um contrato de seis meses, e foi a partir desse trabalho que escolheu o nome Marilyn Monroe. Lyon ajudou na escolha, retirando o nome de Marilyn Miller, uma estrela da Broadway, e Monroe do sobrenome de solteira de sua mãe. Em 1946, se divorciou de vez do primeiro marido, podendo, assim, se concentrar em seu trabalho como atriz.
Como a loira não teve nenhum trabalho no cinema nos primeiros seis meses de contrato, se dedicou aos estudos, aprendeu dança, canto e teatro e estava sempre presente nos estúdios, observando como os atores se comportam, buscando aprender cada vez mais sobre a indústria.
Primeiros trabalhos como Marilyn Monroe

Em fevereiro de 1947, seu contrato foi renovado e Marilyn finalmente estreou no cinema, recebendo seus dois primeiros papéis no drama ‘Perigosa’ e na comédia ‘Torrentes de ódio’. Com o fim do seu contrato, em agosto de 1947, Marilyn voltou a modelar, mas continuou suas aulas na escola de teatro e, e
m outubro do mesmo ano, apareceu interpretando o papel de uma mulher fatal no curta ‘Glamour Preferred’.
Seu segundo contrato veio em 1948, com o estúdio Columbia Pictures. Na época, Marilyn se envolvia romanticamente com o executivo da Fox, Joseph M. Schenck, amigo pessoal de Harry Cohn, executivo da Columbia. Surgiram boatos informando que foi essa proximidade que deu a oportunidade para Marilyn.
Na Columbia Pictures, Marilyn teve como preparadora Natasha Lytess, que continuou como sua mentora até 1955. Ela foi a responsável por platinar o loiro da jovem atriz. A artista estrelou como protagonista o longa ‘Ladies of the Chorus’, mas a produção não obteve sucesso e seu contrato não foi renovado. Foi durante esse período que realizou sua correção nos dentes.
Em 1948, Marilyn se envolveu com Johnny Hyde, vice-presidente da WMA. Ele chegou a lhe fazer propostas de casamento, mas a jovem atriz recusou. Querendo alavancar sua carreira, ele pagou a prótese de silicone para ser implantada na mandíbula e uma rinoplastia. Ele também conquistou um pequeno papel no filme ‘Loucos de Amor’ para a atriz, que participou da turnê promocional. Ela seguiu modelando para revistas e, em 1949, posou nua para o fotógrafo Tom Kelley.
Em 1950, sua carreira como atriz avançou. Marilyn estreou cinco filmes, sendo dois papéis pequenos em produções pequenas, a participação em dois filmes aclamados pela crítica (‘O Segredo das Joias’, de John Huston e ‘All About Eve’, de Joseph L. Mankiewicz). Mesmo com uma participação pequena no primeiro citado, ela foi mencionada na revista Photoplay e isso a colocou finalmente como uma atriz séria.
Com seu sucesso finalmente acontecendo, a Century Fox renovou seu contrato por sete anos, em 1950. Logo depois da renovação, Hyde morreu de ataque cardíaco, deixando a jovem extremamente triste. No ano seguinte Marilyn começou a ser verdadeiramente notada pela mídia. Foi apresentada no Oscar e alguns meses depois, a revista Collier’s publicou um perfil público seu. Ela participou de mais quatro filmes lançados em 1951, que, apesar de pouco relevantes, renderam elogios pela sua performance na tela.
Marilyn continuou se aperfeiçoando, passando a ter aulas com Mikhail Chekhov. Começou a ficar cada vez mais popular, recebendo milhares de cartas de fãs apaixonados e sendo apontada como a mulher mais desejada pelos soldados.
Durante seu segundo ano de contrato, Marilyn era apontada como it-girl, sendo a responsável pelo sucesso dos filmes de que participava. Também era chamada de rainha do pin-up. Foi premiada pela Associação de Correspondentes Estrangeiros de Hollywood. Também teve seu romance com o jogador de beisebol Joe DiMaggio altamente publicado e comentado.
Foi motivo de escândalo quando descobriram seu ensaio nua do ano de 1949.O estúdio explicou que a atriz aceitou fazer as fotos pois estava em uma situação financeira difícil e, no final, o público abraçou a justificativa e gerou mais simpatia sobre a jovem atriz, e o interesse por seus filmes aumentaram ainda mais com a repercussão.
Foi durante essa era de publicidade, em 1951, que a Atriz fez um ensaio vestindo um saco de batatas, a "brincadeira" se deu após uma colunista afirmar que a loira ficaria melhor vestida ou mais vulgar em um saco de batatas, criticando seu vestido vermelho decotado usado em uma festa.

Durante o desfile da Miss América, Marilyn afirmou sua reputação como símbolo sexual, usando um vestido revelador, e disse ao colunista Earl Wilson que não costumava utilizar roupas íntimas. Em 1952, estreou três filmes de sucesso, recebendo críticas positivas por seu trabalho. Ela seguiu trabalhando bastante, estrelando mais dois filmes. Marilyn ganhou fama de “difícil” nos estúdios: frequentemente chegava atrasada, não comparecia ou esquecia falas, além de exigir que a mesma cena fosse regravada várias vezes, até considerá-la perfeita. Além disso, tinha um apego em suas preparadoras, que precisavam estar presente o tempo todo. Ficou conhecida como “diva”, o que lhe dava uma visão negativa na indústria.
Crescimento na indústria

Em 1953, Marilyn conseguiu se consolidar como símbolo sexual. No filme ‘Torrentes da Paixão’, a loira interpretou uma mulher fatal. Ela e seu maquiador desenvolveram um tipo de maquiagem que se tornou sua marca registrada: sobrancelhas arqueadas, pele pálida e lábios vermelhos.
O filme foi extremamente sensual, tendo cenas em que a atriz estava coberta apenas por uma toalha de mesa. Em um momento, Marilyn caminha e é filmada de costas, balançando um pouco os quadris, que foi inclusive usado como merchan do longa.
O filme chegou a sofrer protestos de alguns grupos conservadores. No mesmo ano de 1953, ela ganhou o prêmio de “estrela em ascensão” no cinema. Na ocasião, a atriz utilizava um vestido colado ao corpo, que lhe trouxeram diversas críticas.
Os outros dois filmes lançados no ano lhe renderam mais popularidade. Ela passou a ser considerada o maior patrimônio da Century-Fox e foi considerada a atriz mais lucrativa dos Estados Unidos, sendo que seu último filme tinha atingido a marca de 8 milhões de dólares de bilheteria, mesmo com o crescimento da televisão.
Marilyn estava cansada de filmar apenas comédias e musicais. No entanto, seu contrato não havia mudado desde a assinatura e ela não tinha liberdade para escolher seus projetos ou parceiros de cenas. Ao se recusar a gravar outra comédia musical, o estúdio decidiu suspendê-la, assunto que rendeu primeiras páginas em jornais e revistas. A atriz, então, começou uma campanha publicitária para combater as informações negativas sobre ela.
Marilyn se casa, então, com o jogador Joe DiMaggio e viajam para o Japão juntos. De lá, viaja até a Coreia e canta para 70 mil soldados. Retornando, foi premiada pela Photoplay e, no mês seguinte, conquistou um novo contrato com o estúdio, podendo estrelar uma produção mais séria e faturando mais.
O filme ‘O pecado Mora ao lado’ teve uma publicidade antecipada, sendo uma das filmagens na avenida Lexington, em Nova Iorque. É nessa cena que o vestido dela sobe com o ar saindo da grade do metrô. As filmagens atraíram uma multidão de fãs e fotógrafos profissionais. A ideia publicitária foi excelente, mas gerou rusgas em seu casamento, que teve o fim decretado. O jogador não gostou da exposição, alegando se tratar de algo muito vulgar.
Os autores Spoto e Banner afirmaram, no entanto, que ele era fisicamente abusivo com Marilyn, chegando a machucá-la.

Depois do lançamento do filme, Marilyn começou uma batalha judicial contra o estúdio, que não cumpriu as promessas previstas em contrato, e foi ridicularizada pela mídia na época. Em 1955, a atriz passa a estudar com mais afinco a arte dramática.
Durante seu processo de divórcio, Marilyn continuou se encontrando com seu ex-marido, mas também desenvolveu um relacionamento romântico com Arthur Miller, casado na época. O estúdio pediu que a atriz terminasse a relação, que estaria sujando sua imagem, mas Marilyn disse que não e os chamou de “covardes”. No final da disputa judicial com o estúdio, Marilyn ganhou o direito de quatro filmes, prometendo que, a cada obra, ela receberia mais de 100 mil dólares, tendo direito à escolha sobre o conteúdo, diretores e produtores.
A nova vida de Marilyn
Em 1956, a atriz se casou pela terceira vez, agora com Arthur Miller, que havia deixado a esposa para estar com Marilyn. Depois do casamento, a artista se converteu ao judaísmo, o que fez o Egito proibir a exibição de todos os seus filmes. A relação foi duramente criticada, principalmente por que ela tinha a imagem de “loira burra” e ele de “intelectual”.Em 1957, a atriz fica grávida, porém passa por um aborto. No ano seguinte, perde outra gravidez. Marilyn sofria de endometriose, e sua condição dificultava que conseguisse ter filhos.

Após a pausa, Marilyn voltou a estrear diversos papéis no cinema. Seu último filme concluído foi ‘Os Desajustados’, que lhe trazia em um papel dramático. Na mesma época, seu casamento de quatro anos havia acabado e seu ex-marido iniciou um novo relacionamento logo após o divórcio oficial. O filme foi um fracasso, Marilyn odiou o papel, que era menor que o dos seus colegas de cena masculinos. Além disso, Miller tinha o costume de reescrever cenas à noite e colocar elementos baseados em sua vida real. O fracasso de bilheteria veio e os comentários foram bem cruéis. Marilyn também estava sofrendo bastante, viciada em barbitúricos, tendo sua maquiagem por vezes aplicada enquanto ela ainda estava sob os efeitos das drogas.
Após todo esse período, Marilyn passou a ficar mais preocupada com sua saúde, sendo submetida a cirurgia de endometriose, ficando quatro semanas internada no hospital. Seu ex-marido Joe DiMaggio a ajudou nessa fase.Em 1961, ela retornou a Los Angeles e começou um novo relacionamento com Frank Sinatra. Em 1962, recebeu um Globo de Ouro e começou um novo filme pelo estúdio 20th Century-Fox, uma regravação de ‘My Favorite Wife’. No entanto, a atriz esteve ausente nas duas primeiras semanas de gravações devido a seu estado de saúde.
No dia 19 de maio, fez uma pausa novamente para cantar “Happy Birthday” para o presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy. Momento, inclusive, que lhe rendeu diversas críticas, com o público dizendo que ela sensualizou durante a canção, com gemidos. No entanto, o vestido estava terrivelmente apertado, o que dificultava sua respiração. Muitos historiadores dizem que os dois estavam envolvidos em um affair, mas nada foi comprovado.
Voltando às gravações, Marilyn aproveitou uma cena em que nadava nua em uma piscina e gerou publicidade antecipada para o filme, sendo fotografada enquanto gravava. Foi a primeira vez que uma atriz consagrada posava nua. Monroe precisou se ausentar novamente das gravações, o que lhe rendeu uma nova demissão e um pedido de pagamento de multa de 750 mil doláres em danos.
O estúdio expôs que a culpa de todos os atrasos e cancelamento da produção se deu por conta do uso de drogas da estrela, que estava mentalmente instável. Marilyn respondeu às acusações aceitando diversos trabalhos publicitários, inclusive sendo fotografada pela Vogue.
Em sua última semana de vida, a artista estava negociando novamente com o estúdio para voltar a filmar ‘Something’s Got to Give’.
Final da estrela

Marilyn já era constantemente acusada de ser viciada em substâncias e foi encontrada morta, aos 36 anos, em seu quarto em Los Angeles pelo seu psiquiatra Ralph Greenson no dia 5 de agosto de 1962. A morte foi confirmada pelo médico Hyman Engelberg, sendo afirmado que a mesma morreu de intoxicação por barbitúricos, entre as 20h30 e as 22h30.
O que se seguiu foi um show de horrores: muitos afirmaram que se tratava de suicidio, já que a atriz lutava com baixa autoestima e depressão há muitos anos, outros que fora assassinato por conta de seu envolvimento com Kennedy. O corpo da artista ficou desesparecido por cerca de seis horas antes do enterro, e muitos dizem que ele foi violado nesse período. Além disso, Leigh Wiener subornou funcionários do necrotério e tirou diversas fotos de Marilyn, inclusive nua.
Todo o desrespeito que Marilyn Monroe sofreu durante a vida, infelizmente a seguiu depois da morte.








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