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O Dia das Mães além das flores: o reconhecimento do trabalho de cuidado

  • Foto do escritor: Hellica Miranda
    Hellica Miranda
  • há 6 minutos
  • 4 min de leitura

O trabalho de cuidado promovido pelas mães é muitas vezes invisível e — quase sempre — exaustivo. Neste Dia das Mães, refletimos sobre a importância das redes de apoio.



Neste Dia das Mães, é necessário refletir sobre o trabalho invisível das mães no que se refere a tarefas essenciais, como educação, alimentação, gestão da casa e apoio emocional, o que se estima consumir, em média, 25 horas semanais das mulheres, impactando diretamente em sua jornada profissional e cuidados pessoais.


Essa disparidade na divisão do trabalho doméstico alimenta o que especialistas descrevem como um ciclo de vulnerabilidade econômica, em que a dedicação integral ao cuidado frequentemente resulta em menores rendimentos e carreiras estagnadas ao longo do tempo. Para além da questão financeira, essa sobrecarga impacta severamente a saúde mental das brasileiras, que se veem obrigadas a equilibrar a gestão da casa com a pressão por produtividade externa. É por isso que, em 2026, a discussão sobre a “Economia do Cuidado” torna-se central: ela exige que o suporte emocional e físico oferecido pelas mães deixe de ser visto apenas como uma obrigação afetiva e passe a ser reconhecido como um pilar estrutural que sustenta a própria economia do país.


A maternidade constitui um dos grandes momentos da vida humana. Contudo, por vezes o que se vê é uma falta de enxergar a mulher mãe associada à fraternidade que seria devida para a concretização de direitos fundamentais na sociedade. Isso decorre de uma questão de gênero que merece ser esclarecida (…)”, dizem David e Lins em “O trabalho do cuidado da mulher-mãe e cinco caminhos para a visibilidade da igualdade de gênero”. “Consequentemente, é preciso concretizar os objetivos de desenvolvimento

sustentável, dentre eles, a questão da igualdade de gênero, fortemente atrelada a nascer para realizar cuidados, inviabilizando aspectos de igualdade para todos”, continuam.


Mães, sobrecarregadas


Não é que eu não goste dos meus filhos. Eu não gosto de que, por ter filhos, eu precise ter meu acesso à educação comprometido por conta de instituições que não pensam em um espaço que acolha mulheres e crianças.

— Trecho retirado do texto de Ana Rossato intitulado “Amo meus filhos. Mas odeio ser mãe”, disponível no livr “Com você ando Melhor”, de Ligia Moreiras Sena, Florianópolis, Santa Catarina, 2016, p. 39-42.


Essa fala, embora datada de 2016, ecoa com uma precisão dolorosa nas estatísticas de 2026. A exaustão materna não é um fenômeno biológico, mas o resultado de um sistema que ainda falha em oferecer redes de apoio estruturais, forçando as mulheres a escolherem entre o desenvolvimento intelectual e o exercício da maternidade. No Brasil, esse cenário se agrava quando observamos que o trabalho invisível de gestão do cuidado consome dezenas de horas semanais das mulheres, impedindo que muitas completem seus estudos ou alcancem postos de liderança condizentes com suas qualificações.


A sobrecarga descrita por Ana Rossato vai além da fadiga física; trata-se de uma barreira social que impõe o "custo invisível do cuidado". Em 2026, o debate sobre a saúde mental materna evidencia que essa falta de acolhimento institucional gera um ciclo de vulnerabilidade econômica, onde a ausência de políticas públicas para a infância acaba por estagnar a carreira e o acesso ao conhecimento das mães. É urgente que as instituições — de universidades a empresas — parem de tratar a presença de crianças como um inconveniente e passem a reconhecer o cuidado como um pilar essencial que sustenta toda a estrutura da sociedade.


*Imagem gerada por Inteligência Artificial.
*Imagem gerada por Inteligência Artificial.

O trabalho materno transita por uma complexa rede de funções que inclui a gestão logística da casa, a supervisão educacional, a nutrição e, principalmente, a carga mental do apoio emocional constante, tarefas que chegam a consumir cerca de 25 horas semanais das mulheres.


Essa dedicação extensiva ao bem-estar da família gera o que se conhece como “custo invisível do cuidado”, resultando em uma exaustão que compromete severamente o autocuidado.


Quando o tempo e a energia são integralmente canalizados para suprir as demandas alheias, as necessidades pessoais de saúde física, lazer e descanso são sistematicamente negligenciadas, criando um ciclo de sofrimento psíquico e estagnação pessoal que afeta a identidade da mulher para além da maternidade.


A beleza da maternidade e a importância das redes de apoio


As redes de apoio para mães são ecossistemas de suporte, formais ou informais, que visam compartilhar a carga física e emocional intrínseca à maternidade, permitindo que o cuidado não recaia exclusivamente sobre uma única mulher.


Elas podem ser compostas por núcleos familiares e de amizade, que auxiliam na logística diária, ou por articulações institucionais e políticas públicas que garantem o acesso a creches e espaços de acolhimento.


Em um cenário onde o trabalho de gestão do cuidado consome dezenas de horas semanais, essas redes são fundamentais para combater o ciclo de vulnerabilidade econômica e o sofrimento psíquico, assegurando que a mãe possa manter seu desenvolvimento intelectual, profissional e o necessário autocuidado.


Quando essas estruturas funcionam, a maternidade deixa de ser vivida como um isolamento compulsório e passa a ser integrada a um esforço coletivo que sustenta a estrutura da sociedade.


“[A beleza da maternidade] é que, mesmo com o trabalho árduo e noites mal dormidas, eu posso olhar e ver que esse ser tão inocente e pequeno depende tanto de mim”, diz Paula Miranda, de 32 anos, mãe de Sara, de 9 meses.


Para Paula, a rede de apoio é essencial: “Mesmo com a rede de apoio, tem horas que a gente pensa que não vai dar conta, mas, quando a gente tem pessoas ao redor que ajudam não só com o neném mas com as coisas de casa, vemos que é essencial”.








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