O Mito da Menopausa

Um papo sobre chegar aos 40 — e outras coisas a mais.

Cheguei aos 40 anos e comecei a perceber algumas mudanças no meu corpo. Ainda estou tentando identificá-las, entender o que o que é passageiro, o que faz parte dessa nova fase e o que preciso aprender sobre mim. Talvez seja o início de uma longa transição hormonal, talvez seja apenas sinais de um corpo que viveu muita coisa e continua se transformando.
O fato é que comecei a prestar mais atenção em mim. Mas existe algo curioso nessa fase: a vontade de viver continua enorme. Ainda quero sair, dançar, conhecer pessoas, me apaixonar pelas possibilidades, experimentar coisas novas e seguir apaixonada pela vida. Não me sinto pronta a diminuir o ritmo só porque cheguei nos "enta" que a sociedade insiste em associar ao começo do envelhecimento.
Ao mesmo tempo, percebo que alguma coisa mudou na maneira como eu faço minhas escolhas. Aos 20, talvez eu aceitasse determinadas situações pela curiosidade, pela validação, ou simplesmente pelo fato de ser destemida mesmo. Hoje, quero viver muito, mas não a qualquer custo. Tenho mais clareza sobre o que eu gosto, o que me faz bem e o que não faz mais sentido pra mim. Amadurecer também é aprender a escolher sem precisar justificar tanto as próprias vontades.
E, curiosamente, essa maturidade também me trouxe mais liberdade para experimentar aquilo que eu não bancava ou não achava interessante. Como, por exemplo, sair com homens mais novos, que chamo de mucilons. Não preciso provar nada pra ninguém e também não é uma regra, mas hoje permito explorar possibilidades sem ficar tão presa às expectativas do que a sociedade espera que uma mulher com minha idade performe.
Afinal, quem decidiu que, depois dos quarenta, precisamos começar a nos comportar como se a vida estivesse acabando? Quem estabeleceu que existe uma idade certa para paquerar, se aventurar, descobrir novas formas de sentir prazer ou mudar de idéia sobre aquilo que gostamos?
Talvez uma das maiores vantagens de amadurecer seja justamente perceber que a opinião dos outros sobre corresponder a tantas expectativas não importa. Posso gostar de coisas diferentes, rever escolhas, mas principalmente colocar meus limites. É importante que eu consiga falar sobre eles sem inseguranças mas tambem saber que eu ainda não sei tudo sobre mim, ainda tenho muito para descobrir.
Como sexóloga, sei que a sexualidade não desaparece com a idade, embora ela se transforme ao longo da vida. As mudanças fisiológicas e hormonais podem sim influenciar no desejo, mas, muitas vezes, não. Vai influenciar no sono, na lubrificação, na resposta sexual, mas cada organismo vai sentir de uma maneira.
Então, aos 40 não quero fingir que nada muda. Quero justamente aprender a reconhecer essas mudanças, cuidar de mim e entender minhas novas necessidades. Mas não quero olhar cada mudança como uma limitação, nem acreditar que preciso abrir mão da minha juventude interior para demonstrar maturidade.
Sei que não sou mais a mesma mulher de 10, nem de 20 anos atrás. Ainda bem. Hoje tenho outras referências, outras prioridades e mais autonomia para decidir o que quero viver. Me sinto pronta a desejar mais porém de maneira mais consciente, mais livre e mais minha. Me sinto mais próxima de mim.
Se existe uma coisa nova que quero levar comigo é a possibilidade de continuar me reinventando. Sem precisar parecer jovem, nem que tenho um roteiro de como me comportar nessa nova fase.
Não quero voltar a ter 20 anos. Quero viver meus 40 com a liberdade que conquistei a muitos tropeços e caos.
E você, mulher, independente da sua idade, o que tem descoberto sobre você? O que deixou de viver pelos outros ou para agradar? o que finalmente está se permitindo viver?
Pare de pedir autorização para viver a vida que ainda tem pela frente.




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