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O silêncio que atravessa décadas: 840 milhões de mulheres vivem sob a sombra da violência, de acordo com a OMS

  • Foto do escritor: Hellica Miranda
    Hellica Miranda
  • há 4 horas
  • 4 min de leitura

Enquanto a Oceania registra 38% de abusos, lacunas de dados sobre indígenas e migrantes dificultam o combate a essa injustiça histórica.



A OMS divulgou “Global, regional and national prevalence estimates for intimate partner violence against women and non-partner sexual violence against women, 2023”, relatório que analisa dados de 2000 a 2023, de 168 países sobre violência sexual ou cometida pelo parceiro.


Quase 1 em cada 3 mulheres (com 15 anos ou mais) em todo o mundo já sofreram violência física ou sexual por parte de parceiros ou violência sexual por parte de não-parceiros. O dado mais alarmante é que esses números mal mudaram desde os anos 2000: em quase 3 décadas, o progresso anual na redução da violência praticada por parceiros íntimos foi de apenas 0,2%.


Nos últimos 12 meses, cerca de 316 milhões de mulheres foram vítimas de violência física ou sexual por parceiros. 


Também é crucial levantar a questão de que a violência começa cedo: 1 em cada 6 adolescentes (16%) entre 15 e 19 anos que já tiveram um relacionamento sofreram abusos físicos ou sexuais no último ano. Por outro lado, segue por toda a vida: entre 4 e 5% das mulheres com 60 anos ou mais também relataram violência por parte de parceiro íntimo no último ano.


Os dados mostram que muitas mulheres vivenciam a violência de um parceiro pela primeira vez quando ainda são adolescentes. E muitas crianças crescem assistindo suas mães serem empurradas, agredidas ou humilhadas, com a violência fazendo parte da vida cotidiana. A chave é quebrar esse padrão de violência contra mulheres e meninas. 

— Catherine Russell, Diretora Executiva do UNICEF.


Apesar das crescentes evidências sobre estratégias eficazes para prevenir a violência contra as mulheres, o relatório alerta que o financiamento para tais iniciativas está em colapso — justamente em um momento em que emergências humanitárias, mudanças tecnológicas e a crescente desigualdade socioeconômica aumentam ainda mais os riscos para milhões de mulheres e meninas. Por exemplo, em 2022, apenas 0,2% da ajuda global ao desenvolvimento foi destinada a programas focados na prevenção da violência contra as mulheres, e o financiamento caiu ainda mais em 2025.



Cenário global


O relatório e a base de dados apresentam dados regionais nas seguintes categorias: regiões dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), regiões da OMS, regiões da Carga Global de Mortalidade (programa com a colaboração de mais de 127 países), regiões do UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas) e regiões do UNICEF. Os dados também são apresentados para 168 países e para mulheres entre 15 e 49 anos. O relatório apresenta estimativas de prevalência tanto ao longo da vida quanto nos últimos 12 meses.

As taxas de prevalência de violência por parceiro íntimo nos últimos 12 meses entre mulheres de 15 anos ou mais que já foram casadas ou tiveram parceiros, segundo as classificações regionais e sub-regionais dos ODS da ONU, estão classificadas abaixo da maior para a menor prevalência:


  • Oceania (excluindo Austrália e Nova Zelândia): 38%

  • Ásia Central e do Sul: 18%

  • Sul da Ásia: 19%

  • Países Menos Desenvolvidos: 18%

  • África Subsaariana: 17%

  • Pequenos Estados Ilhadores em Desenvolvimento: 17%

  • Norte da África e Ásia Ocidental: 14%

  • Norte da África: 16%

  • Oceania (incluindo Austrália e Nova Zelândia): 13%

  • Leste e Sudeste Asiático: 8%

  • América Latina e Caribe: 7%

  • Europa e América do Norte: 5%*


*As taxas são acerca da prevalência de violência sexual ou aquelas cometidas pelo parceiro.


A violência contra as mulheres é uma das injustiças mais antigas e generalizadas da humanidade, mas continua sendo uma das que menos recebe ações concreta (…) Nenhuma sociedade pode se considerar justa, segura ou saudável enquanto metade da sua população vive com medo. Acabar com essa violência não é apenas uma questão de política; é uma questão de dignidade, igualdade e direitos humanos. Por trás de cada estatística existe uma mulher ou menina cuja vida foi alterada para sempre. Empoderar mulheres e meninas não é opcional, é um pré-requisito para a paz, o desenvolvimento e a saúde. Um mundo mais seguro para as mulheres é um mundo melhor para todos.

— Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, Diretor-Geral da OMS. 


Apreensão e faíscas de esperança


Embora a coleta de dados sobre violência de gênero tenha avançado globalmente, o relatório aponta 'apagões' estatísticos preocupantes. Grupos marginalizados — como indígenas, migrantes e mulheres com deficiência — permanecem invisibilizados, assim como vítimas de violência sexual por não-parceiros. Onde há vontade política, porém, os resultados aparecem: o Camboja, por exemplo, renovou sua legislação e investiu na modernização de abrigos e na prevenção escolar. Já países como Equador e Uganda saíram na frente ao criar planos de ação com orçamentos próprios, garantindo recursos locais diante da queda nos investimentos internacionais.


Acabar com a violência contra mulheres e meninas exige coragem, compromisso e ação coletiva. Avançar na igualdade de gênero é a maneira de construirmos um mundo mais igualitário e seguro para todos, onde cada mulher e cada menina possa viver uma vida livre de violência.

— Sima Bahous, diretora executiva da ONU Mulheres.







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