Agosto Dourado: a importância da amamentação
- Hellica Miranda

- 21 de ago.
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Mês de agosto marca o reconhecimento da importância da amamentação através do Agosto Dourado.

Origem do Agosto Dourado
“O Agosto Dourado tem como objetivo trazer à luz o tema da amamentação, com informações de qualidade e incentivo a essa prática que sabemos ser de grande importância para a saúde das nossas crianças e mães. É extremamente importante que as pessoas fiquem sabendo mais sobre os benefícios da amamentação, para que a cada dia mais pessoas se tornem apoio e suporte para alguma mãe que queira amamentar, ou que esteja com dificuldades, para gerarmos uma nova cultura em torno da importância da amamentação”, é o que diz a enfermeira e consultora de amamentação Jéssica Teles.
Instituída em 1992, a campanha do Agosto Dourado surgiu como parte da Semana Mundial de Aleitamento Materno, uma iniciativa da OMS (Organização Mundial da Saúde) e da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).
No Brasil, o mês de agosto foi oficializado como o “Agosto Dourado” em 2017, a partir da Lei Federal n° 13.435.
Importância da amamentação
“Para o bebê, o aleitamento materno serve como alimento, mas também como prevenção de inúmeras doenças, pois os anticorpos da mãe são transmitidos pelo leite diretamente para o bebê. Também é importante salientar que amamentar fortalece o vínculo mãe e bebê. Enquanto alimento, considero o leite materno como um alimento vivo, pois ele se adapta a cada mamada para suprir as necessidades do bebê naquele momento, modificando as quantidades de água, minerais, gordura, carboidratos, para se adequar ao que o bebê precisa. Para a mãe, no pós parto imediato, o aleitamento materno previne hemorragia pós parto, pois o hormônio que ajuda a descer o leite também ajuda na contração do útero. E na vida toda, amamentar diminui os riscos de câncer de mama, de útero e de ovários”, frisa Jéssica Teles.

Outro ponto importante a respeito da importância da amamentação se dá nos mitos, como o que diz que o leite materno é fraco. Para a enfermeira Jéssica Teles, é essencial ressaltar que “a proteção que o aleitamento materno confere à criança não tem comparação com nenhum outro tipo de alimento”.
Dificuldades na amamentação
“O puerpério já é difícil o suficiente, mesmo sem a pressão contra a amamentação, então muitas vezes as mães interrompem a amamentação por pura pressão externa. Também temos diversos profissionais desatualizados que ao invés de estimular o aleitamento materno acabam influenciando as mães a desistirem, por não saber fazer o manejo das dificuldades de amamentar”, indica Jéssica.
Para a enfermeira e consultora de amamentação, “o papel da rede de apoio é essencial na manutenção do aleitamento materno pelo maior tempo possível”.
Amanda Camara Mello, de 36 anos, concorda com a importância da rede de apoio. Mãe de Rafael, de 4 meses, Amanda não conseguiu prosseguir com a amamentação, e conta que o apoio profissional e dos familiares foi essencial.

“Planejei [a amamentação] com muito carinho: me informei, me preparei durante toda a gravidez e fiz de tudo para que a amamentação acontecesse. Era um sonho que eu tinha, valorizava muito esse vínculo”, começa Amanda. “Percebi que algo estava errado quando, mesmo tentando, o leite não desceu — meu bebê começou a perder peso. Mesmo ele sugando, não vinha leite suficiente, até que eventualmente secou por completo”.
De acordo com uma publicação da revista digita PubMed, estima-se que cerca de 1 em cada 20 mulheres em todo o mundo não possa amamentar adequadamente ou fornecer nutrição exclusiva por meio do leite materno.
As explicações são inúmeras, e vão desde irregularidades hormonais da mãe a condições intrínsecas ao bebê.
“Foi triste. Me senti frustrada e decepcionada comigo mesma, principalmente porque me esforcei e planejei muito essa jornada. Mas hoje estou em paz, porque sei que tentei o meu melhor e estou fazendo o que posso pelo meu filho”, explica Amanda.
Amamentação exclusiva
Segundo o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil, divulgado em 2021, 45,8% das crianças brasileiras com menos de seis meses recebiam aleitamento materno exclusivo. Embora o índice ainda seja considerado baixo, ele representa um avanço significativo nas últimas décadas — em 1986, por exemplo, essa taxa era de apenas 3%.
Na década de 1970, as crianças brasileiras eram amamentadas por apenas dois meses e meio, em média. Hoje, essa duração subiu para cerca de 16 meses — o equivalente a 1 ano e 4 meses de vida.
De acordo com matéria publicada pela Agência Brasil, a expectativa do governo brasileiro é que esse índice chegue a 70% até 2030.
“Que melhoremos ainda mais esses números rumo à meta dos 70% de aleitamento materno exclusivo até os 6 meses. Que possamos dar esse exemplo a outros países”, declarou a então ministra da Saúde, Nísia Trindade.
Karen Acciari, de 31 anos, mãe de Eron, comenta sobre a amamentação do filho: “Já tinha o desejo de amamentar, tanto por ser muito nutritivo e ajudar na imunidade do bebê quanto pela conexão que tanto se falava neste momento (…) Nós temos um vínculo muito forte , enquanto se amamenta o bebê se sente seguro , consegue sentir o cheiro da mãe, ouvir seus batimentos e olhar em nossos olhos e perceber que está protegido e acolhido, é lindo”.

As diretrizes do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçam que o aleitamento materno deve ser exclusivo até os seis primeiros meses de vida do bebê. A partir desse momento, a amamentação deve ser mantida e complementada com alimentos saudáveis e adequados, podendo se estender até os dois anos de idade ou mais.




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