Após polêmica de adultização, Hytalo Santos é preso
- De Mulher Para o Mundo
- 15 de ago.
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Dias depois do famoso vídeo de Felca, o influenciador Hytalo Santos é preso por suspeita de exploração infantil e tráfico humano

O influenciador paraibano Hytalo Santos voltou a ser alvo de polêmica após ser citado no vídeo “Adultização”, publicado pelo youtuber Felca. Na gravação, Felca denuncia a exploração de crianças nas redes sociais e classifica o conteúdo produzido por Hytalo com menores como um “circo macabro”.
Nascido em Cajazeiras, no interior da Paraíba, Hytalo José Santos Silva, de 27 anos, começou sua trajetória digital em 2018, publicando vídeos de dança que rapidamente viralizaram. Seu nome ganhou força com coreografias de brega funk, ritmo que vivia um auge no período e ajudou a consolidar sua presença nas redes sociais. O influenciador compartilhou sua trajetória em uma entrevista ao podcast PodCats e disse que encontrou uma oportunidade ao dar aulas de zumba em praças públicas. Durante essas aulas, conheceu Kamylinha, uma jovem que ajudou a impulsionar sua popularidade nas redes sociais.
As danças gravadas com menores, muitas vezes em trajes reduzidos, rapidamente ganharam notoriedade, aumentando a visibilidade e a renda de Hytalo. Ele criou uma "mansão" onde acolheu crianças em situação de vulnerabilidade social, oferecendo suporte financeiro, moradia e educação em troca de suas aparições em seus conteúdos. Essa dinâmica gerou um ambiente de apoio, mas também levantou questões éticas sobre a exposição de menores.
Hytalo se destacou por seu estilo de vida ostentatório, incluindo a distribuição de celulares, doações de carros e cirurgias plásticas para suas "filhas" adolescentes. No entanto, sua popularidade também gerou debates sobre a adultização e a segurança das crianças nas redes sociais, ressaltando a necessidade de um diálogo sobre a proteção infantil no ambiente digital.
À medida que Hytalo expande sua presença online, sua história exemplifica a criatividade e a resiliência, mas também enfatiza a responsabilidade dos influenciadores em garantir um espaço seguro para todos os envolvidos.
Gravidez de Kamylinha
Em maio de 2025, Hytalo Santos, influenciador digital, anunciou que Kamylinha, uma jovem de 17 anos que residia em sua "mansão", estava grávida. O pai da criança seria Hyago Santos, irmão de Hytalo, mas a adolescente acabou perdendo o bebê no início da gestação, fato documentado em vídeos no canal de Hytalo, que possui 7 milhões de inscritos.
Hytalo está sob investigação pela Promotoria da Paraíba desde o ano passado, suspeito de exploração de adolescentes e crianças. O caso ganhou notoriedade após o youtuber Felca publicar um vídeo intitulado “Adultização”, denunciando a exploração de menores nas redes sociais. Os vídeos de Hytalo frequentemente apresentam dinâmicas envolvendo jovens em situações de sexualização, levantando questões éticas sobre a responsabilidade na criação de conteúdo com menores.
O influenciador destaca que homens adultos que consomem o conteúdo de Hytalo, comentam sobre a imagem sexualizada. “Esse comportamento é incentivado e exposto. Ambiente cheio de álcool, ela rebolando no colo de outro menor de idade”, diz.
Suspensão de redes sociais
A Justiça da Paraíba acatou um pedido do Ministério Público e determinou a suspensão dos perfis do influenciador Hytalo Santos nas redes sociais. A promotora Ana Maria França revelou que a investigação foi instaurada após reclamações de moradores sobre a conduta irregular de Hytalo com crianças e adolescentes, incluindo filmagens que apresentavam bebidas alcoólicas e cenas de conotação sensual.
A promotoria de Justiça de João Pessoa está investigando a exposição de menores em vídeos de Hytalo. Além disso, o Ministério Público da Paraíba, em colaboração com o Gaeco, o Ministério Público do Trabalho e a Polícia Civil, recomendou à Loteria do Estado (Lotep) que suspenda a autorização da empresa “Fartura Premiações”, vinculada ao canal do influenciador, até a conclusão da investigação sobre a adultização de menores para fins de lucro.
A defesa de Hytalo ainda pode recorrer da decisão, conforme informações do Ministério Público da Paraíba, que solicitou as medidas. A Justiça também acatou uma recomendação do Gaeco, do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Civil, para suspender uma das empresas de Hytalo, que atuava no ramo de rifas e sorteios, por uso irregular da imagem de menores.
Troca de favores

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) investiga o influenciador Hytalo Santos por supostamente oferecer benefícios como celulares, aluguel de casas e pagamento de mensalidades escolares a familiares de adolescentes que participavam de vídeos em suas redes sociais. Em entrevista divulgada para o Portal G1, um dos promotores do caso, João Arlindo Côrrea, informou que o MP investiga um possível esquema de benefícios para familiares dos menores em troca de emancipação dos adolescentes que participavam desses vídeos. Essa possibilidade foi levantada a partir de depoimentos durante o processo.
"O que ele fazia não necessariamente era em relação à criança. 'Olha, o senhor emancipa o adolescente que eu vou custear o colégio da pessoa, etc', não. Mas, por exemplo, há informes de que ele dava iPhones, alugava casa (para os familiares)...", ressaltou. As investigações apontam que cerca de 17 adolescentes, todos emancipados, participaram das produções. O caso começou a ser apurado após denúncias anônimas no fim de 2024, e o relatório final deve ser concluído na próxima semana. Além de Hytalo, o MP também apura a conduta dos pais, que podem ser responsabilizados por omissão e exposição indevida dos filhos.
Pronunciamento de Hytalo Santos
O youtuber Hytalo divulgou, nesta quinta-feira (14), uma nota dizendo que nunca se envolveu em exploração de menores e que sempre trabalhou para proteger crianças e adolescentes. Ele também negou que tenha tentado se esconder ou atrapalhar as investigações.
No mesmo dia, policiais e oficiais de Justiça foram até o endereço dele para cumprir um mandado. Ao chegar, a equipe encontrou a casa vazia, portas trancadas e uma máquina de lavar ligada. Segundo funcionários do condomínio, Hytalo saiu pouco antes da operação e levou vários equipamentos.
Prisão de Hytalo Santos

O influenciador Hytalo Santos e o marido, Israel Nata Vicente, foram presos em Carapicuíba sob acusação de explorar crianças e adolescentes nas redes sociais. A prisão ocorreu após Hytalo não ser encontrado em sua casa na Paraíba durante mandados de busca, quando equipamentos foram retirados do local.
No momento da prisão, oito pessoas estavam na residência; foram apreendidos celulares e um carro. A Justiça decretou prisão preventiva por indícios de tráfico de pessoas e exploração de trabalho infantil, além de risco de obstrução da investigação. A defesa classificou a prisão como “medida extrema” e pretende recorrer. Hytalo é investigado também por possível exploração sexual infantil e tráfico humano, com o Ministério Público denunciando vazamento de informações que atrapalham o caso.
Segundo informações da Veja, o influenciador acumula dívidas superiores a R$ 350 mil, conforme registros de proteção ao crédito. A maior parte do montante foi protestada por uma empresa de recrutamento estratégico, enquanto outra dívida, de R$ 10 mil, está vinculada a uma de suas três empresas, por serviços contábeis prestados na Paraíba.
Como denunciar abuso e violência sexual infantil

Canais para denunciar casos de violência contra crianças e adolescentes:
· Polícia Militar (190) – Deve ser chamada quando a criança estiver em risco imediato.
· SAMU (192) – Para pedidos de socorro em casos de urgência médica.
· Delegacias especializadas – Unidades focadas no atendimento a crianças, adolescentes ou mulheres.
· Delegacias comuns – Qualquer delegacia pode receber a denúncia.
· Disque 100 – Serviço nacional para denúncias de violações de direitos humanos. O registro é anônimo e pode ser feito por qualquer pessoa.
· Conselho Tutelar – Presente em todos os municípios, atua verificando denúncias e, se necessário, aciona a polícia e solicita abertura de inquérito.
· Profissionais de saúde – Médicos, enfermeiros, psicólogos e outros têm obrigação legal de notificar casos suspeitos às autoridades competentes.
· WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos – Pelo número (61) 99656-5008.
· Ministério Público – Pode receber e encaminhar denúncias para investigação.




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