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“Bug” na Geração Millennial vira livro escrito por cronista brasileira

  • Foto do escritor: Hellica Miranda
    Hellica Miranda
  • há 2 horas
  • 4 min de leitura

“Bug nos Millennials”, livro de estreia de Aquela Miranda expõe a frustração dos millennials com o presente sobrecarregado e o futuro cada vez mais incerto.



Bug nos Millennials


Nascida entre os anos 1981 e 1996, a Geração Millennial — ou Geração Y — é aquela nascida na transição do analógico para o digital, ou seja, os espectadores da ascensão da internet.


Para a farmacêutica do SUS, Hellen Caldas, de 35 anos, esse é o diferencial da geração a qual pertence: “Os millennials são a geração que cresceu em uma realidade analógica e amadureceu junto com a explosão digital. Sendo assim, precisamos nos adaptar, fazendo com que aprendêssemos rápido a lidar com mudanças. Começamos a usar a internet como forma de expressão, questionando autoridades e padrões”.


Estreia da Editora Record, “Bug nos Millennials” oferece um retrato perspicaz e bem-humorado de uma geração marcada pela transição tecnológica. O livro explora as angústias de jovens adultos que, pressionados por roteiros tradicionais de sucesso, enfrentam recordes de esgotamento mental enquanto tentam encontrar seu espaço diante da ascensão da Geração Z.


O livro, escrito pela atriz e roteirista Aquela Miranda, vem como sucessor e consequência de uma muito bem recebida crônica publicada em junho do ano passado.


Bem-humorado, o texto começa referenciando “Como nossos pais”, sucesso de Belchior na voz de Elis Regina, uma vez que o eu-lírico compara sua situação à dos pais.


Para quem não sabe, millennial é como se chamam os adultos infelizes que nasceram entre os anos 1980 e meados dos 1990, também conhecida como a geração que ficou mais pobre que seus pais”, escreve a autora.


Quem são e o que querem os millennials?


De fato, os millennials parecem atrasados. Mas não estão exatamente “mais pobres”.


Mesmo com níveis de escolaridade muito superiores aos de seus pais (os Baby Boomers), a trajetória financeira da Geração Y tem sido marcada por crises sucessivas que dificultaram o acúmulo de patrimônio.


Dados recentes mostram que, na mesma faixa etária, millennials possuem cerca de 41% menos riqueza acumulada do que seus antecessores possuíam em 1989. Enquanto os Baby Boomers detêm a maior parte da riqueza global hoje, os millennials enfrentam desafios.


Embora a renda nominal possa parecer maior, o poder de compra foi corroído pela inflação e pelo aumento explosivo dos custos de habitação e educação. Além disso, a Geração Y entrou no mercado de trabalho carregando dívidas de financiamento estudantil muito maiores do que as gerações anteriores.


Os millennials são, com frequência, chamados de “geração sem teto”, não por escolha, mas por impossibilidade financeira. O preço dos imóveis subiu a taxas que os salários não acompanharam, o que resultou em uma mudança de comportamento: em vez de comprar, os millennials pagam pelo uso (aluguel, streaming, transporte por aplicativo), o que impede a construção de patrimônio imobiliário, que foi o pilar da riqueza da classe média Boomer.


Por outro lado, há um crescimento no número de millennials milionários que focam em ativos digitais, investimentos negociados na Bolsa e criptmoedas, buscando liquidez em vez de tijolos.


Geração Y no Brasil


No Brasil, a situação dos millennials é agravada por uma década de instabilidade econômica (2014 - 2024), levando a um cenário delicado: cerca de 40% dos jovens brasileiros não trabalham em sua área de formação, aceitando subempregos ou trabalhos informais para sobreviver.


Isso gera o fenômeno da “geração canguru”, em que muitos adultos de 30 a 40 anos continuam morando com os pais para dividir despesas, algo muito menos comum na geração anterior.


“Eu não vejo morar com a família como um retrocesso, e sim como uma adaptação consciente à realidade atual. Assim como também não vejo problema em escolher pagar por um aluguel e viver de forma independente. Para mim, são decisões válidas dentro da realidade de cada pessoa. A vergonha que ainda existe não vem da situação em si, mas de expectativas que já não acompanham o tempo em que vivemos.”, pontua Hellen Caldas. “Para mim, independência é construída em atitudes, não apenas no lugar onde se mora. Os Millennials têm lidado com um cenário mais desafiador, então o que realmente importa é a consciência por trás da escolha, seja por estabilidade ou autonomia”, ressalta a farmacêutica, que mora com a família.


A Geração Y no Brasil vive hoje um momento de redirecionamento e maturidade. Em 2026, com os membros mais velhos chegando aos 45 anos e os mais novos aos 30, essa geração deixou de ser a “promessa do futuro” para se tornar o motor principal da economia e da cultura atual.


Pesquisas recentes realizadas pela Deloitte mostram que, diferente dos pais, que priorizavam a estabilidade financeira e a carreira vitalícia, o millennial busca significado. De uma amostra de mais de 23 mil pessoas em 44 países, exatos 92% dos millennials afirmam que ter um senso de propósito é importante para sua satisfação no trabalho e bem-estar.


A pesquisa destaca que esse propósito se tornou mais pé no chão. Não é apenas “mudar o mundo”, mas sentir que o trabalho permite uma contribuição significativa para a sociedade.


No entanto, em 2026, esse idealismo é acompanhado por um forte pragmatismo: após enfrentarem crises sucessivas, os millennials são consumidores cautelosos que buscam experiências que justifiquem cada centavo, valorizando marcas que demonstram responsabilidade social e inclusão.


Temos um perfil de Linkedin invejável, mas uma saúde mental capenga. Nunca chegaremos lá, nunca seremos suficientes, estamos sempre atrasados”, escreve Aquela Miranda.


Há ainda que se falar da tecnologia: a Geração Y é a geração que viveu a transição do analógico para o digital. No Brasil, isso se traduz em uma facilidade imensa com novas tecnologias, como a Inteligência Artificial, mas também em um certo esgotamento.


Estima-se, inclusive, que 42% dos Millennials brasileiros planejam passar menos tempo nas redes sociais, buscando uma desconexão para preservar a saúde mental e focar em relações presenciais e bem-estar.


Financeiramente, a realidade é desafiadora. Com um custo de vida médio no Brasil girando em torno de R$ 3.520,00, muitos Millennials ainda lutam com gastos que consomem quase 60% do orçamento (como moradia e alimentação). Isso consolidou fenômenos como o aluguel por assinatura e o compartilhamento de espaços, já que a casa própria se tornou um sonho mais distante para essa geração do que foi para os Baby Boomers.


Essa geração está moldando o Brasil de 2026 ao exigir lideranças mais humanas, empresas mais éticas e uma forma de viver que não seja baseada apenas no acúmulo, mas na qualidade das experiências vividas.



O livro “Bug nos Millennials” já está em pré-venda.






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