Com mais de 3000 mortos, ex-líderes do Irã condenaram os assassinatos em protestos.
- Pedro Natividade

- há 1 dia
- 2 min de leitura
Vários ex-líderes do Irã, incluindo alguns que estão presos atualmente, condenaram as mortes de milhares durante protestos.

Irã nega ter cometido os assassinatos.
O governo iraniano já declarou que, ao todo, 3.117 pessoas morreram durante os protestos motivados por grave crise econômica — inflação desenfreada, colapso da moeda local e o aumento drástico dos preços dos produtos básicos —. Porém, O Irã rejeitou as alegações das Nações Unidas e de organizações internacionais de que forças estatais eram responsáveis pelos assassinatos, que ocorreram principalmente nas noites do dia 8 e 9 de janeiro.
A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), sediada nos EUA, afirmou serem 6.854 mortes e outros 11.280 casos sendo investigados.
Mir Hossein Mousavi, ex-candidato à presidência que está em prisão domiciliar desde o “Movimento Verde”, escreveu sobre a atual situação do Irã.
"Após anos de repressão cada vez mais intensa, esta é uma catástrofe que será lembrada por décadas, senão por séculos. De quantas maneiras as pessoas devem dizer que não querem mais esse sistema e que não acreditam nas suas mentiras? Chega. O jogo acabou”.
Mousavi disse às forças estatais do Irã para desistirem de forma pacífica e democrática, enfatizando que isso deve ser feito sem intervenção estrangeira diante das “tensões de guerra” com os EUA e Israel. Em torno de 400 ativistas, tanto de dentro quanto de fora do país, apoiaram a declaração do ex-candidato.
Declarações de ex-líderes
Mostafa Tajzadeh, um ex-político reformista preso, deu seu pronunciamento direto da prisão na semana passada. Ele também citou que a verdadeira apuração das atrocidades dos assassinatos deve ser feita.
O Irã deve ultrapassar as condições miseráveis que a tutela dos juristas islâmicos e o fracasso do governo do clero impuseram à nação iraniana. Isso vai depender da resistência, sabedoria e ação responsável de todos os cidadãos e atores políticos.
— Mostafa Tajzadeh
O ex-presidente e até talvez futuro concorrente, Hassan Rouhani, reuniu ex-ministros e integrantes na semana passada para dar um discurso gravado sobre “novas reformas” para o Irã. Ele cita que os iranianos protestam há mais de 40 anos e diz que o Estado deveria ouvir se quisesse sobreviver.
Outros ex-líderes também criticaram o atual governo do Irã, mas evitaram pedir a saída efetiva da República Islâmica do poder.
Presos de novo
Três ex-prisioneiros políticos do Irã já foram presos de novo pelas forças de segurança mais uma vez na semana passada. A agência de notícias Fars disse que o motivo das prisões (domiciliares) foi a entrega da mensagem de Hossein, que já estava preso.
O clima tem sido muito tenso entre os ex-líderes e o governo iraniano. No domingo, parlamentares vestiram os uniformes da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), que até semana passada havia sido designada como umaorganização “terrorista” pela União Europeia.




Comentários