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Da menina que sonha à mulher que se ama: uma jornada de autodescoberta

  • Foto do escritor: Estela Santos
    Estela Santos
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

Das expectativas infantis à liberdade adulta: percorra o caminho da aceitação e descubra como honrar sua verdade e seu amor-próprio.



Todas as mulheres carregam dentro de si uma história de crescimento, transformação e reconstrução. Desde muito cedo somos moldadas por expectativas alheias: da família, da escola, da mídia e sociedade no geral. Mas existe uma trajetória que vai além dessas vozes

externas, é o caminho de descobrir quem realmente somos, entre falhas, decisões, perdas e

ciclos, construindo nossa base de amor-próprio genuíno. Vamos percorrer esse caminho.



A infância


Na infância, buscamos pertencimento. Aprovação dos pais, professores, colegas. Muitas vezes internalizamos o que se espera de nós: “Meninas devem ser calmas, bonitas e obedientes.” Essas mensagens podem interferir no modo como enxergamos nosso valor ao decorrer da vida, até o momento em que se crie consciência disso. Mas também há pureza: nos permitimos imaginar, brincar, criar sem medo, expressar nossos gostos sem filtro. Essa parte é fundamental, pois é a raiz da autenticidade, onde se mora verdadeira essência.


É na infância também que surge os primeiros contatos com a comparação. “Ela é tão bonita”, “ela desenha melhor”, “tem mais amigos”. Essas percepções ainda inocentes fazem parte do processo de aprendizado, mas podem gerar inseguranças, principalmente em meninas que cresceram fora dos padrões e sofreram bullying nesse período. A criança, sem entender, começa a sentir que precisa corresponder para ser aceita.



Adolescência: enfrentando espelhos, críticas e descobertas



Descobrindo a corporeidade e a identidade


O corpo muda, a autoimagem se transforma. A adolescência traz a necessidade de aceitação,

junto com críticas internas e externas. Revela-se também a urgência de definir “quem eu sou”. Nessa fase, a necessidade de ser aceita se amplia. A opinião dos amigos, da família, e a vontade de ser notada por garotos, ganham espaço. É aqui que surgem as comparações com padrões de beleza, desempenho e popularidade. E hoje, na modernidade, com as redes

sociais, essas questões se intensificaram ainda mais.


Essa pressão pode gerar insegurança, vergonha do próprio corpo e uma busca constante por aprovação, muitas vezes acima do bem-estar pessoal.


Erros, descobertas e rebeldia


Experimentamos estilos, amizades que vão e vêm, opiniões que chocam. Alguns erros doem; outros libertam. É um período marcado por questionamentos constantes e a vontade de desafiar regras para entender até onde podemos ir.



A vida adulta: o despertar da consciência entre escolhas e renúncias


Ao atingirmos a independência, a teoria finalmente dá lugar à prática. O cotidiano, preenchido por trabalho, relacionamentos e responsabilidades financeiras, traz dilemas concretos que testam nossa integridade diariamente. É o momento em que somos forçadas a

decidir se viveremos para atender às expectativas alheias ou para honrar nossa própria verdade.


Nesse caminho, enfrentamos dificuldades que exigem coragem, como o medo do julgamento

e da rejeição. Muitas vezes, parece mais fácil seguir o que a sociedade considera “apropriado” do que ouvir a voz interna. Somado a isso, lidamos com o peso de padrões culturais e familiares; tradições e crenças que, embora herdadas, precisam ser questionadas

para que possamos decidir o que acolher e o que descartar. A comparação constante, potencializada pelas redes sociais, surge como um veneno que gera cobranças irreais. Por isso, torna-se vital reexaminar nossa métrica de sucesso: o foco deve estar no progresso pessoal e na comparação única entre quem somos hoje e quem fomos no passado.


Diante desses desafios, o autoconhecimento deixa de ser uma opção e se torna prioridade. Muitas mulheres percebem que, na tentativa de atingir um ideal, acabaram perdendo a própria essência sob camadas de máscaras sociais. Ao se depararem com o vazio de não saberem mais quem são, buscam refúgio na terapia, nas leituras e nos diálogos internos. É nesse

espaço que perguntas sobre alegria, medos e motivações ganham a força necessária para reconstruir a identidade.


O encontro com o amor-próprio: a aceitação como estilo de vida



O verdadeiro amor-próprio floresce quando abraçamos nossas falhas, inseguranças e medos,

compreendendo que ser imperfeita é o que nos torna únicas e humanas. Essa aceitação permite que sejamos fiéis aos nossos valores, agindo de acordo com nossas crenças mesmo quando isso significa nadar contra a corrente. Nesse estágio, a integridade passa a valer mais do que a aprovação externa, e estabelecer limites torna-se um ato de respeito. Dizer “não” deixa de ser uma tentativa de desagradar o outro para se tornar uma forma de cuidar de si.


Essa autenticidade não é um destino, mas uma escolha diária que se manifesta na prática da autorreflexão. Momentos de silêncio e meditação tornam-se caminhos eficazes para entender os sentimentos sem julgamentos, enquanto o hábito de registrar pensamentos ajuda a esvaziar o peso das vozes sabotadoras. Da mesma forma, a busca por atividades que nutrem a alma, seja na arte, no esporte ou na natureza — permite que a alegria ocupe o lugar da mera busca por resultados.


A caminhada pode ser fortalecida por uma rede de apoio verdadeira, composta por quem respeita nossa essência e nos inspira. Ao celebrarmos pequenas vitórias cotidianas, como o ato de expressar um sentimento ou priorizar o autocuidado, ensinamos nossa mente a ser grata, cultivando um estado de plenitude. Os benefícios dessa postura são claros: maiorequilíbrio emocional, menos ansiedade e uma paz interior que nasce do reconhecimento do

próprio valor inerente, independentemente do que o mundo diga.



Conclusão: o amor-próprio como parte da sua história


A jornada de ser quem se é não é linear; ela é feita de quedas, reinvenções e desafios. No entanto, cada fase contribui para que abandonemos a armadura da alienação e encontremos nossa versão mais autêntica. Descobrir o amor-próprio é aceitar que as dores do passado não ditam o futuro. É o ato de abraçar a menina que sonhou, a adolescente que questionou e a

mulher que você é agora, integrando todas essas versões em um crescimento contínuo.


Não é preciso esperar por um momento perfeito para começar. Esse amor pode florescer agora, no exato instante em que você decide reconhecer suas dores, acolher seus sonhos e defender, com respeito e firmeza, os valores que tornam você quem você é.


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