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Jogos de azar, estética inalcançável e superexposição infantil: o alto preço da fama de Virginia Fonseca

  • Foto do escritor: Hellica Miranda
    Hellica Miranda
  • 2 de jan.
  • 13 min de leitura

Entre críticas à WePink e investigação no Senado, Virginia divide opiniões ao lucrar alto com a espetacularização da vida privada.




Ascensão e vida pessoal



Virginia Pimenta da Fonseca Serrão, nascida em 6 de abril de 1999, em Danbury, Connecticut, nos Estados Unidos, é uma influenciadora digital conhecida sobretudo por volta de 2016 — quando tinha 17 anos e iniciou sua trajetória no YouTube. 



Virginia ganhou notoriedade rapidamente, tendo, inclusive, atuado como DJ por um breve período. Sua primeira grande alavancagem de visibilidade se deu ao gravar vídeos com o youtuber Pedro Rezende, com quem teve um relacionamento que culminou em um rompimento em 2020 e uma multa por quebra de contrato.


No mesmo ano, a influenciadora iniciou seu relacionamento com o cantor sertanejo Zé Felipe, filho do também cantor Leonardo. A relação catapultou sua fama a um patamar inédito enquanto promovia as canções do marido com “dancinhas” que viralizavam nas redes sociais.


Essa união a colocou no centro dos holofotes da mídia tradicional e digital, transformando sua vida pessoal em uma "verdadeira novela" de intensa exposição na “Fazenda Talismã” e outros cenários luxuosos. O anúncio da primeira gravidez, em 2021, aumentou ainda mais o engajamento, chegando a gerar a acusação de que teria engravidado por fama e dinheiro. A exposição contínua e detalhada da vida familiar e do cotidiano, muitas vezes através de sorteios e lives agressivas, é a base de seu modelo de negócio e de sua relevância, mas também o ponto de partida para severos questionamentos.


Com Zé Felipe, Virginia é mãe de Maria Alice, nascida em 30 de maio de 2021; Maria Flor, nascida em 22 de outubro de 2022; e José Leonardo, nascido em 8 de setembro de 2024. Todas as gravidezes, pós-partos e primeiros momentos das crianças foram conteúdos divulgados pela influencer, que chegou a comprar um avião particular e personalizá-lo com figuras que representavam a família.


Virgínia, Zé Felipe e os filhos com o avião particular avaliado em mais de R$22 milhões
Virgínia, Zé Felipe e os filhos com o avião particular avaliado em mais de R$22 milhões

O casal anunciou a separação em maio de 2025, com muitos internautas postando que “não acreditavam mais no amor” e se perguntando qual seria o próximo grande término de famosos da internet. 


Em julho de 2025, iniciaram-se rumores de que a influencer estaria se relacionando com o jogador de futebol Vini Jr., que foram acentuados após a festa de aniversário do jogador.


Em setembro, Virginia já estava viajando frequentemente para Madrid, onde mora o jogador, aumentando as suspeitas sobre o novo relacionamento. A influenciadora chegou a publicar vídeos se exercitando na academia de Vini Jr. e no closet do jogador.


Em 6 de outubro de 2025, Vini Jr. postou nas redes sociais um vídeo dançando ao lado de Virginia e as dúvidas acabaram. No entanto, poucas horas depois, viralizaram na internet prints de conversas do jogador com outras mulheres no período em que supostamente já estaria se relacionando com a influencer. Virginia chegou a comentar sobre o assunto em entrevista, mencionando que os dois já não estavam mais “ficando” e expressando seu descontentamento com a situação.


Pouco tempo depois, Vini Jr. fez um post público pedindo desculpas — que foi creditado pelo público ao clube em que joga — e enviou flores para Virginia. Em seguida, o casal foi visto junto em Mônaco e, em 28 de outubro, oficializaram o namoro com publicações no Instagram.


Os posts do pedido de namoro de Vini para Virginia levantaram discussões de que a própria influenciadora teria montado o cenário, muito parecido com um de sua relação com o ex-marido. 


Comparação entre momento romântico com o ex, Zé Felipe, e com o jogador Vini Jr.
Comparação entre momento romântico com o ex, Zé Felipe, e com o jogador Vini Jr.

O império WePink e a qualidade questionável


Em 2021, Virginia Fonseca consolidou sua faceta empresarial com a abertura de algumas empresas, sendo a WePink, marca de skincare e produtos de beleza, a mais lucrativa e notória. A influencer utiliza sua própria plataforma, sobretudo os stories do Instagram, para a divulgação massiva dos produtos e promoções, alcançando faturamentos expressivos, como o recorde de R$58 milhões em um único mês.


No entanto, o sucesso comercial veio acompanhado de severas críticas à qualidade dos produtos e problemas de logística. No caso do lançamento de uma base facial, influenciadoras de beleza questionaram a qualidade em relação ao preço elevado, gerando um debate público acentuado. 


A maquiadora profissional Karol Resende, cujo slogan pessoal é “não existe maquiagem que eu não consiga te ensinar”, fez uma análise crítica do produto. Karol declarou:


Eu já lidei com as melhores formulações do mercado e, obviamente, eu seria muito criteriosa com essa base, não só pelo valor (R$200,00) mas por todas as promessas que ela contém também. Promete ser uma “dermomake”, conter ativos que tratam a sua pele enquanto você está maquiada. O termo “dermomake” é errôneo e inexistente. Também analisei a formulação da base e pude comprovar que, de fato, é impossível que a quantidade de ativos que contém aqui seja o suficiente para poder tratar a pele (...) Resistente a água, ter o acabamento matte, textura aveludada, alta fixação na pele e alta cobertura. Ação calmante, antipoluição, controle de oleosidade, combate ao envelhecimento precoce (...) Ela tem uma pigmentação muito alta, uma textura muito grossa, realmente. (...) Realmente a cobertura é muito alta (...) Ela seca na pele e cria uma ação de repuxe, que é muito comum nos produtos de acabamento matte. (...) Mesmo aplicando um hidratante superpotente, (...) não foi o suficiente, a base é extremamente seca mesmo. Muito acumulado nas linhas, a base não tá confortável, não apresenta uma tecnologia que, na minha opinião, faça sentido o valor que tá sendo cobrado (...)”.


Karol Resende, então, mostrou o resultado da aplicação da maquiagem da WePink em seu rosto, evidenciando falhas e marcações de textura e ressecamento. A base também não passou no teste da água, mostrando que o produto não era resistente à água, como prometido: “A água conseguiu penetrar ali na pele, na base, na verdade. Isso já é um problema para uma base que promete essa resistência à água”. Karol também aproveitou para mostrar que, com a pele molhada, havia penetração da água sob a base. 


Maquiadora profissional e especialista Karol Resende testa base polêmica de Virgínia
Maquiadora profissional e especialista Karol Resende testa base polêmica de Virgínia

O veredito foi que:


(…) existem outras bases no mercado nacional que oferecem o mesmo acabamento e performance por R$20,00 ou menos. Eu sou maquiadora profissional e autoridade no assunto, e eu posso garantir que, no momento, a base da WePink não está valendo esse valor.

Virginia, por sua vez, defendeu o produto. Mais grave, no site Reclame Aqui, a empresa foi alvo de reclamações e ações na Justiça por clientes que não receberam os produtos devido ao estoque insuficiente diante da alta demanda. O dilema ético aqui reside na prioridade: o lucro exponencial em detrimento da satisfação e do respeito ao consumidor. No momento de elaboração desta matéria, todos os 15 tons da base estavam indisponíveis no website da WePink. 


O youtuber Felca, por sua vez, fez um vídeo de quase 19 minutos em que testa a polêmica base de Virgínia Fonseca. Assista abaixo.



Exposição dos filhos na internet


Muitos influencers e artistas são alvos de críticas devido à superexposição de seus filhos na internet, como é o caso da famigerada Família Poncio, e que vai na contramão do que pregam artistas como Sandy e Rodrigo Santoro.


A BBC diz que “há até um termo em inglês que vem sendo usado para falar da superexposição digital dos filhos, o oversharenting (uma junção das palavras over, que significa algo excessivo, que vai além; share, de "compartilhar"; e o final da palavra parenting, que remete à criação de filhos)”. 


Em outubro de 2024, a atriz Luana Piovani reagiu a um vídeo em que Virgínia teria dado colágeno em pó para sua filha de 2 anos, com os dizeres “pobres crianças rycas”. No vídeo compartilhado por Luana, o autor do vídeo original diz: “Isso, no meu ponto de vista, é exploração, porque uma criança não pediu para já nascer tendo Instagram. A gente viu o caso da nossa pequena lá. A mudança de comportamento só por conta do uso do telefone. Pega uma malícia rápido, pega um estresse rápido. As crianças já estão estressadas sem ter nenhuma demanda emocional, psicológica, de trabalho”. O homem, identificado no vídeo como William, ainda declarou, sobre o filho caçula de Virginia e Zé Felipe ter alcançado 1 milhão de seguidores no Instagram: “As crianças já nascem com perfil no Instagram. As crianças são exploradas dia e noite, mostrando tudo que elas fazem na internet”.


Já em abril de 2025, Virginia disse, em entrevista ao Hugo Gloss, que “As pessoas falam ‘ah, você expõe muito seus filhos’, gente, é a vida deles, eles nasceram de mim e é como eu estou hoje. Eu não vou parar de fazer tudo que eu faço por conta deles. Eles vão ter que me seguir”. A influenciadora ainda adicionou que, se “lá na frente”, as crianças decidirem que não querem ser filmadas, “beleza, beijo, segue com a vida”. 



O perigo dos jogos de aposta (Bets) e a CPI





Talvez o ponto mais crítico e perigoso da trajetória recente de Virginia seja sua atuação como garota-propaganda de casas de apostas on-line, as chamadas “bets”, categorizadas por alguns como “jogos de azar”. A promoção incessante desses jogos, que têm o potencial de causar prejuízos financeiros e vício em seus seguidores, é uma questão de responsabilidade social que confronta diretamente o seu imenso poder de persuasão.


Em novembro de 2024, iniciou-se a “CPI das Bets”, uma Comissão Parlamentar de Inquérito — uma investigação temporária conduzida pelo Poder Legislativo —, na qual Virginia foi convocada a depor. Durante seu depoimento, ela negou veementemente a acusação de que teria recebido o chamado “cachê da desgraça”, que seria um lucro baseado nas perdas financeiras — e consequente ganho das casas de apostas — dos seguidores.


Virginia afirmou que seu contrato previa apenas um bônus de 30% se ela “dobrasse o lucro” da empresa de apostas, o que, segundo ela, nunca foi atingido. 

No entanto, a comissão expôs contradições: a própria influenciadora admitiu que os vídeos em que aparece “ganhando” nas apostas foram gravados em contas promocionais fornecidas pelas plataformas, e não em sua conta pessoal. Em outras palavras, o montante mostrado como prêmio era simulado para marketing. A CPI ressaltou que esse tipo de divulgação é eticamente problemático, pois “ilude os apostadores” sobre as chances de ganho fácil. Deputados e senadores enfatizaram que influenciadores têm responsabilidade social, já que propagandas assim podem incentivar o vício em jogos e ocasionar endividamento de pessoas vulneráveis.


Independentemente das cláusulas contratuais, o envolvimento com a promoção de jogos de azar levanta um alarme sobre a ética da influência digital, especialmente quando milhões de pessoas, incluindo jovens e vulneráveis, seguem suas sugestões. O debate com a senadora Soraya Thronicke, onde Virginia questionou “Se é tão ruim, por que vocês não proíbem?”, sublinha a banalização do risco em prol do ganho financeiro.


Integrantes da CPI das Bets rejeitaram, no dia 12 de junho de 2025, o relatório final de Soraya Thronicke, do Podemos. Foram quatro votos contrários e três favoráveis ao texto. Com isso, o colegiado teve suas atividades encerradas sem medidas a serem adotadas.

Foi a primeira vez, nos últimos dez anos, que uma CPI do Senado teve o relatório rejeitado.


A CPI foi duramente criticada por estar, direta ou indiretamente, promovendo e exaltando ainda mais a figura da influencer. O senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, quebrou o protocolo ao solicitar que, após o fim da sessão, Virginia “mandasse um abraço” para sua esposa e sua filha.



Ademais, o comportamento de Virginia — bem como sua aparência claramente diferente daquela sempre exibida nas redes sociais, com um visual “infantil” composto por moletom com a imagem da filha e minúsculos óculos de grau — gerou uma resposta negativa para o Senado e para a própria influencer: à ocasião, Virginia Fonseca perdeu mais de 600 mil seguidores.



Estética e padrões 



Virginia foi também sócia de uma clínica de estética, a SK Aesthetic, inaugurada em novembro de 2021, em Moema, São Paulo, e vendida em junho de 2022 para que Virgínia e a outra sócia, Samara Pink, se dedicassem aos cosméticos da WePink. 


A marca está fortemente ligada à busca incessante por um padrão de beleza idealizado e mercadológico. Em um universo onde a máxima de Simone de Beauvoir — “Não se nasce mulher, torna-se mulher” — ressalta a construção social da feminilidade, Virginia representa a materialização de uma feminilidade espetacularizada e comercializada.



Virginia é conhecida por compartilhar abertamente sua rotina de procedimentos estéticos. Ela chegou a passar por cirurgias de correção de hérnia umbilical e mastopexia (levantamento e troca de prótese mamária) — o próprio cirurgião-chefe relatou: “Virginia fez uma herniorrafia umbilical minimamente invasiva… e no final fez a mastopexia com troca de prótese”. Na cirurgia, ela substituiu suas próteses de silicone por outras menores, tendência observada agora, na era das “clean girls”.


Virginia mostra procedimento estético realizado no rosto
Virginia mostra procedimento estético realizado no rosto

Além disso, segundo a PurePeople, dedicou-se a diversos tratamentos dermatológicos avançados (laser italiano, tecnologias coreanas etc.) para contorno corporal, além da famosa “Lipo LAD” (Lipoaspiração de Alta Definição), uma técnica que remove gordura para “definir” os músculos, gerando uma aparência mais atlética.


Por outro lado, esses procedimentos atraíram muitas críticas. Especialistas em saúde alertam que promover cirurgias como rotina pode criar expectativas irreais sobre o “corpo perfeito” e negligenciar riscos médicos reais. No pós-parto de 2021, por exemplo, Virginia exibiu barriga muito definida apenas dez dias após o nascimento da filha e explicou ao público que havia feito lipoaspiração pouco antes da gravidez. Ela chegou a pedir às mães que não se comparassem a ela: “A lipo LAD estava muito recente, e isso também interfere”.


Mesmo assim, críticas surgiram. A atriz Sthefany Brito apontou que essa divulgação é um “desserviço” às demais mulheres: “Virginia fez várias lipos e procedimentos, isso não é a realidade de todas as grávidas do Brasil”.


Para muitos, o corpo em destaque de Virginia alimenta uma cobrança social perigosa, pois as mudanças físicas mostradas dependem de intervenções cirúrgicas, não de hábitos comuns.


A exposição contínua de um corpo e uma vida curados e luxuosos, incluindo presentes caríssimos de grifes de luxo, impõe um padrão estético e de consumo inatingível para a maioria de suas seguidoras. A ênfase na aparência e nos procedimentos estéticos (sejam eles quais forem) pode sutilmente endossar a visão de que o corpo da mulher é um objeto em constante aprimoramento para atender a um olhar externo, um retrocesso na busca por uma identidade de sujeito, não de “Outro”, como critica Beauvoir. É o capitalismo da beleza, em que a autoestima se torna um produto.



Estreia como apresentadora e rainha de bateria



Virgínia em seu programa de TV no SBT
Virgínia em seu programa de TV no SBT


A transição de Virginia Fonseca das telas dos smartphones para a televisão aberta consolidou-se como um dos movimentos mais ambiciosos de sua carreira, testando a capacidade de conversão de seus milhões de seguidores em telespectadores tradicionais. Estreando em abril de 2024, o programa “Sabadou com Virginia”, no SBT, rapidamente atingiu a vice-liderança isolada de audiência, tornando-se um dos principais produtos da emissora e superando frequentemente a Record na disputa pelo horário nobre de sábado.


Dados de audiência apontam que a atração não apenas fidelizou o público, mas renovou a demografia do canal: cerca de 64% da audiência inicial era composta por mulheres, com forte apelo entre jovens e adultos acima de 25 anos, um reflexo direto de sua base de fãs digital. Em diversos momentos de 2024 e 2025, o programa chegou a incomodar a liderança da TV Globo (competindo com o tradicional Altas Horas) e registrou picos de crescimento de até 52% para o SBT na faixa horária, impactando quase 60 milhões de brasileiros.


Entretanto, a migração para a TV expôs Virginia a um escrutínio diferente do encontrado em sua “bolha”digital. Críticos de televisão e colunistas apontaram repetidamente um comportamento considerado distante ou “estrelismo” nos bastidores. Houve relatos de restrições ao uso de celulares pela plateia e acusações de que a apresentadora mantinha pouco contato visual ou interação com o público que viajava horas para vê-la, priorizando o próprio dispositivo móvel durante os intervalos.


As polêmicas atingiram um ponto crítico em dezembro de 2025, durante a festa de confraternização do programa. O evento terminou em tumulto quando fornecedores, que trabalhavam sob regime de permuta (troca de serviços por divulgação), suspenderam o serviço de comida e bebida após Virgínia supostamente deixar o local sem realizar as fotos e stories combinados, permanecendo no evento por menos de duas horas. O episódio reforçou a narrativa crítica presente em sua carreira: a de que a monetização agressiva e a superficialidade das relações comerciais, comuns em seu modelo de negócio no Instagram, colidem com as expectativas e protocolos do mundo real e da televisão corporativa.


Virginia em sua apresentação como rainha de bateria da Grande Rio
Virginia em sua apresentação como rainha de bateria da Grande Rio

A consagração de Virginia Fonseca como rainha de bateria da Grande Rio para o Carnaval de 2026 gerou uma intensa polarização nas redes sociais, reacendendo o debate sobre o espaço de influenciadoras digitais em cargos tradicionais das escolas de samba. Ao substituir Paolla Oliveira, uma figura venerada pela comunidade do samba, Virginia enfrentou imediata resistência. A crítica central girou em torno da falta de familiaridade com o samba e da percepção de que o posto — historicamente associado à técnica de dança e vivência de quadra — teria sido concedido puramente pelo seu alcance midiático e poder de engajamento, em detrimento de passistas da comunidade.


Comentários online ironizaram vídeos de seus ensaios, com internautas apontando a falta de "samba no pé" e acusando a agremiação de priorizar o marketing digital sobre a tradição cultural.


Além das críticas técnicas, a gestão de sua imagem como rainha também foi alvo de escrutínio. A ausência da influenciadora em ensaios técnicos importantes alimentou rumores de um “climão” com a diretoria e integrantes da escola, forçando a própria Virgínia a usar suas redes para desmentir desavenças. A polêmica foi amplificada por declarações de figuras públicas, como a atriz Carol Castro, que classificaram a escolha como uma “hipocrisia”, associando a imagem de Virginia à promoção de jogos de azar e questionando a coerência de tê-la à frente de uma agremiação cultural.


Em um movimento raro de autocrítica que repercutiu amplamente, a própria influenciadora admitiu em seu programa de TV que não se considerava uma “boa rainha” no quesito dança, mas defendeu sua entrega e conexão com o público como seus principais ativos para o cargo.


Virginia encerrou o ano de 2025 sendo protagonista de uma nova música viral nas redes sociais: o pagode “Alô Virgínia”, parceria do Grupo Chocolate com a Turma do Pagode, cita a influenciadora e os famosos “body splashes” da marca WePink.



Controvérsias e riscos associados


No geral, a repercussão em torno de Virginia Fonseca revela uma polarização: ao mesmo tempo em que ela mantém enorme legião de fãs, muitos especialistas alertam para os perigos do conteúdo que ela veicula. 


Sobre jogos de azar, psicólogos advertem que promover apostas como entretenimento pode normalizar uma prática de alto risco, principalmente entre jovens, e ignorar as consequências de vício e problemas financeiros. 


Quanto às cirurgias e dietas extremas, médicos lembram que não existem soluções milagrosas para saúde e bem-estar; dietas radicalmente restritivas (como a popularizada por Virginia) podem causar desordens alimentares, e cirurgias repetidas carregam riscos cirúrgicos e psicológicos. Em entrevistas e nas redes, a influenciadora frequentemente associa mérito pessoal a esses procedimentos — mas críticos afirmam que isso encoraja padrões inalcançáveis. Como já notaram alguns formadores de opinião, chamar atenção dessa forma pode fazer com que jovens idealizem intervenções estéticas ou apostem dinheiro sem consciência dos perigos.


Em síntese, Virginia Fonseca é um fenômeno da era digital: conseguiu capitalizar fama e negócios, mas sua imagem também serviu de alerta público. As polêmicas recentes — desde o depoimento no Senado até debates sobre o corpo pós-parto — ilustram como a influência nas redes sociais pode se tornar objeto de escrutínio jornalístico e até político. Observadores concluem que celebridades assim exercem dupla face: por um lado, empoderam exemplos de sucesso financeiro e autonomia; por outro, podem oferecer referências de comportamento duvidosas. As discussões geradas convidam o público a refletir criticamente sobre a influência que pessoas públicas exercem no estilo de vida e nos valores de seus seguidores.




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