Mulheres são ensinadas a amar
- Momento Romasex

- 10 de mai.
- 2 min de leitura
Sobre — muito mais que — o Dia das Mães.

Desde a infância, através dos brinquedos, nos ensinam o cuidado e o papel de cuidadoras. Essa socialização atravessa a vida adulta de inúmeras maneiras. A gente cresce ignorando os próprios limites para não sermos mal interpretadas, para não “estragar” o clima, o relacionamento, a família, o ambiente. Aprendemos cedo que dizer “não” pode nos transformar em difíceis, frias, egoístas. E, assim, pouco a pouco, vão nos treinando para suportar desconfortos em nome do afeto.
Também nos ensinaram a romantizar controle. A acreditar que ciúme é prova de amor, que insistência é cuidado, que abrir mão de si mesma é maturidade. Quantas mulheres vivem relações onde são constantemente convocadas a compreender, acolher, esperar, relevar? Como se amar fosse sinônimo de sacrificar a própria paz.
Existe uma exaustão silenciosa em ser educada para cuidar de todo mundo enquanto ninguém pergunta quem cuida de você. Porque a sociedade celebra mulheres disponíveis: disponíveis emocionalmente, fisicamente, afetivamente. Mulheres que resolvem, que acolhem, que sustentam. E, muitas vezes, quanto mais uma mulher se anula, mais ela é vista como “boa”.
Mas se amar é o que eu sei, então eu quero ser a melhor em amar — e que esse amor comece por mim. Amor próprio não é egoísmo; é sobrevivência. É entender que nossos limites não são obstáculos para o amor, mas condições para que ele exista de forma saudável. Quem ama não deveria exigir que você desapareça para que a relação funcione.
Precisamos urgentemente descentralizar os afetos. E isso não significa odiar homens — embora algumas tenham razões suficientes para isso. Significa não fazer de um relacionamento o centro absoluto da própria existência. Não transformar um parceiro em destino, identidade ou medida de valor. Porque quando uma mulher é protagonista da própria vida, diminui drasticamente o poder de controle que qualquer relação pode exercer sobre ela.
Uma mulher que conhece seus limites assusta. Uma mulher que escolhe a si mesma incomoda. Uma mulher que entende que merece reciprocidade deixa de aceitar migalhas emocionais. E talvez seja exatamente por isso que nos ensinaram por tanto tempo a amar os outros antes de amar a nós mesmas.
Mas existe algo profundamente revolucionário em uma mulher que para de se abandonar e finalmente entende que amor também deve ser um lugar de liberdade.
Essa semana assisti o filme do Michael Jackson e pensei: por trás de todo gênio existe uma mãe que o incentiva, uma mulher que o incentiva e acredita nele.
Que sejamos nossas próprias incentivadoras. Feliz dia das mães.




Linda reflexão ❤️