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Nas ondas da história: A evolução do Rádio no cenário brasileiro

  • Foto do escritor: Estefane S. Worst
    Estefane S. Worst
  • há 2 horas
  • 7 min de leitura

Em 1899, um brasileiro e um italiano fazem os primeiros experimentos com o Rádio, mas somente um foi reconhecido pelo o invento durante anos. 



Hoje, 13 de fevereiro, é o Dia Mundial do Rádio. Esta data foi criada pela UNESCO, que vê o rádio como um meio de comunicação acessível, ágil e que pode salvar vidas em caso de emergências. O dia de hoje foi escolhido por causa da primeira emissão da Rádio das Nações Unidas nesta data em 1946. Mas você sabia que o Brasil tem um dedinho na história do Rádio e que o país já foi o terceiro maior do mundo em audiência radiofônica?


Um brasileiro inventor do rádio?


A história do rádio inicia em 1864, quando James Clerk Maxwell publica sua teoria sobre as ondas eletromagnéticas, que é comprovada em 1887 por Heinrich Hertz. A partir deste momento começam as experiências para usar essas ondas na comunicação, o que vai levar ao surgimento do rádio, um aparelho pelo qual são recebidas ondas que reproduzem sons que são transmitidas por uma estação. Mas quem é o pesquisador que conseguiu esse feito?


Em 1893, um padre brasileiro inventou um aparelho que recebia a voz humana, sem a utilização de fios condutores. O padre gaúcho Roberto Landell de Moura, foi considerado louco por muitos, o que o levou a não conseguir apoio do governo brasileiro, ser desencorajado pela igreja católica e acabar por não levar a fama por seu invento. 


Landell fez uma demonstração pública do seu invento em 16 de julho de 1899, onde foi transmitida a voz do inventor e o hino nacional. A transmissão foi de um colégio na Zona Norte de São Paulo até a Ponte das Bandeiras, que ficava a cerca de quatro quilômetros de distância. A experiência foi repetida no ano seguinte, sendo até publicada no Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro.


Em 1901, Landell de Moura foi para os Estados Unidos, onde patenteou seu invento de transmissões por ondas de rádio e por feixes de luz para o Brasil e os EUA, sendo reconhecido por muitos inventores de lá. Ele chamava sua tecnologia de telégrafo sem fio, telefone sem fio ou transmissor.


Durante sua estadia, ele também recomendou aos cientistas estadunidenses o uso de ondas curtas para aumentar as distâncias das transmissões. Nessa época, o nosso inventor tupiniquim já cogitava a possibilidade de transmissão à distância sem fio da voz humana, outros sons, textos e imagens. 


Mas, ao retornar ao Brasil, os pedidos do padre para recursos e demonstrações foram negados pelo governo. O que resultou no esquecimento do seu nome e do pioneirismo do Brasil nas transmissões por rádio. Tendo o nosso inventor somente ajudado e influenciado seus colegas norte-americanos, sem ficar com o reconhecimento. 



Isso aconteceu também, porque, quase ao mesmo tempo, o italiano Guglielmo Marconi realizou suas primeiras transmissões, sendo ele atribuído como inventor oficial do Rádio.


Os outros inventores


Marconi se muniu do conhecimento prévio já existente sobre as ondas eletromagnéticas e começou a fazer pequenos testes em sua casa, tentando enviar mensagens via rádio. Até que por fim ele conseguiu realizar a primeira transmissão telegráfica sem fio de voz em 3 de outubro de 1899, logo depois de Landell no Brasil. 


Em 1901, Marconi transmitiu uma mensagem por Código Morse da Inglaterra para o Canadá, sendo o primeiro a fazer uma transmissão a longa distância. Mas o invento de Marconi só permitia transmissões a longa distância em código morse, não por voz.


Neste mesmo ano, Guglielmo Marconi também desenvolveu uma companhia para transmissão telegráfica sem fio e recebeu  o Nobel de Física. Assim, apesar de já terem sido realizadas outras experiências com o rádio, esse inventor com certeza foi o primeiro a conseguir transmitir a longa distância, uma das características do rádio moderno.



Dentre estas outras experiências a curta distância, temos um terceiro inventor, Nikola Tesla, segundo pesquisadores ele fazia pequenas transmissões de rádio na cidade de Saint Louis, nos Estados Unidos, antes de Marconi inventar o rádio oficialmente.


O dilema da transmissão de voz a longa distância


O rádio não seria o que é hoje sem a música e o carisma dos seus locutores. Então, apesar de Marconi ter conseguido transmitir a longa distância, antes de 1906, essas transmissões eram somente por código, sem essas duas características marcantes. Neste ano  Reginald Fessenden desenvolveu um sistema de rádio mais sofisticado. Conseguindo fazer uma transmissão a longa distância de Massachusetts, em 24 de dezembro, com voz humana e música.


Durante a Primeira Guerra Mundial, o uso do rádio aumentou, porque a tecnologia  passou a ser utilizada como meio de transmitir informações entre as tropas. A guerra contribuiu para a sua massificação, permitindo que diversas estações de rádio surgissem em diversas partes do planeta logo após o conflito.



As primeiras estações e a era de ouro


Considera-se a KDKA, nos Estados Unidos, como a primeira estação de rádio comercial, tendo sido inaugurada em novembro de 1920. A companhia dona do canal também fabricava e vendia rádios no país. Já nos anos seguintes da década de 1920, centenas de estações de rádios foram estabelecidas nos EUA. Além de em outros países da Europa, como a Alemanha, o Reino Unido, os Países Baixos, a França e até fora da Europa como na Austrália, Japão, México e Brasil.



Essa década marca o início da era de Ouro do Rádio, quando este foi o meio de comunicação mais popular do mundo, sendo a principal maneira das pessoas se informarem e acessarem ao lazer. A transmissão de música pelo rádio ajudou a popularizar diversos estilos musicais, como o jazz nos Estados Unidos e o samba no Brasil. 


O Brasil depois de Landell


Depois dos experimentos do padre Landell, o rádio só chegou oficialmente ao Brasil na década de 1920. Com o cientista, Edgard Roquette Pinto, que foi o responsável pela primeira transmissão oficial em 7 de setembro de 1922, isso aconteceu durante as celebrações do centenário da independência do Brasil. Nela foi transmitido um discurso do presidente Epitácio Pessoa que estava no Rio de Janeiro para aparelhos instalados em São Paulo, Petrópolis e Niterói. 


Esse cientista também fundou a primeira  emissora do país, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, em 1923.  Roquette Pinto é considerado o pai da radiodifusão no Brasil. E sua emissora tinha como propósito promover a educação. Na década de 1920, a taxa de analfabetismo chegava aos 65% de acordo com os censos da época.




Apesar disso, o veículo só se tornou popular no país na década seguinte, com os incentivos do governo de Getúlio Vargas. Nesta época, além de música a programação das estações contava também com programas humorísticos, infantis, radionovelas e noticiários. As radionovelas eram dramas e romances narrados em episódios, parecidos com as telenovelas atuais, mas no início ao invés de guardadas elas eram feitas ao vivo.


Assim, logo o meio de comunicação conquistou a população e se tornou um importante instrumento para integração do país, rompendo barreiras geográficas e sociais, para promover acesso a conteúdos informativos e educativos em todo país. Outro destaque desta era, foram os noticiários transmitidos pelas rádios durante a Segunda Guerra Mundial, com informações atualizadas do conflito. 

Até a década de 1950, o rádio viveu a Era de Ouro no Brasil e no mundo. Depois, começou a competir com a televisão, muito mais lentamente no Brasil do que no resto do globo. E por muito tempo, mesmo com a televisão e até com a internet, no Brasil o rádio foi aquele veículo que conseguia chegar mais longe nas comunidades distantes e de difícil acesso.


Novas tecnologias


Uma das principais mudanças pelas quais o rádio passou nos últimos anos foi a migração da frequência  AM (Amplitude Modulada) para FM (Frequência Modulada). As rádios que operavam em AM alcançavam uma área maior, porém eram  mais sujeitas a interferências e ruídos. Enquanto, rádios FM cobrem uma área menor, mas tem mais qualidade. 


Também temos o início do Rádio digital, com a primeira transmissão realizada em 1988. Atualmente, podemos ouvir o rádio em qualquer aparelho, pelo celular ou internet. Além disso, muitos programas de rádios tradicionais são publicados em plataformas de streaming como podcasts. Um formato diferente, mas que também leva a informação através do áudio.

Todas essas adaptações levaram o rádio a sobreviver não só a era da televisão, mas também  ao CD e à internet, continuando a fazer parte do cotidiano do ouvinte brasileiro.


O cenário atual

Os números falam por si mesmos, o rádio está longe de morrer. Nos Estados Unidos, 88% dos adultos escutam, em média, 104 minutos por dia e 12 horas por semana de rádio, segundo dados da Nielsen. Essa audiência normalmente vem de momentos de deslocamento. Também de acordo com a Edison Research, 55% da Geração Z sintoniza estações de rádio AM/FM, o que significa que o rádio ainda tem uns bons anos de vida e influencia até mesmo público mais jovem. 


E falando de influência, 77% dos ouvintes estariam dispostos a experimentar um produto ou marca recomendado por sua personalidade favorita do rádio, de acordo com o levantamento estadunidense da Katz Radio Group. E num cenário global os investimentos com publicidade em rádio continuam robustos, representando um mercado anual de US$ 36,1 bilhões, de acordo com a Dentsu.


No Brasil, em 2022, haviam mais de 10 mil estações de rádio registradas no Brasil, segundo a Anatel. E o veículo é ouvido por 80% da população das regiões metropolitanas, sendo que cada ouvinte passa 3h55 minutos ouvindo o rádio por dia, segundo a pesquisa INSIDE AUDIO 2023 da Kantar IBOPE Media. Outro fato importante, destacado pela pesquisa é a credibilidade deste veículo, 83% dos seus ouvintes dizem que o rádio traz as notícias de forma rápida e 64% acreditam nas notícias que escutam.


Ainda sobre essa pesquisa, dentre as regiões metropolitanas, as que escutam mais rádio são as de Porto Alegre e Belo Horizonte com 84% de respostas positivas e as que escutam menos rádio são a de São Paulo e Recife. 


Já os momentos em que os brasileiros escutam o rádio são 58% dos casos em casa realizando tarefas, 27% no carro ou moto particular, 12% no trabalho presencial, 7% em casa trabalhando, 5% no transporte público, 4% na rua se deslocando, 4% no carro ou moto de app ou táxi e 4% em outros contextos. A Preferências da programação, tem a música primeiro lugar, seguida de notícias locais, depois das notícias nacionais, notícias de trânsito e por fim sobre futebol. 


Como falado anteriormente, o podcast não é exatamente um produto do rádio, mas produzido por diversas estações de rádio , basicamente sendo uma forma diferente de entregar conteúdo em áudio. E essa forma vem ganhando cada vez mais força. Durante a pesquisa citada anteriormente 50% das respostas foram positivas sobre ouvir podcas


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