top of page

“Vai virar mulherzinha na cadeia”, eles disseram.

  • Momento Romasex
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Depois do carnaval vem o mês de março, o mês das mulheres, comemorar o quê?



O recorde de feminicídios que atingimos no Brasil é histórico e alarmante, voltemos ao tema de que nós mulheres precisamos nos unir... porque é só nós por nós mesmas


Quantos homens você conhece que estão falando sobre isso? E não digo só de postar, não, de conversas em suas rodinhas? Acontece que os homens não tão nem aí para as nossas mortes. Tenho visto, sim, alguns homens, que tenho chamado de “feministos” em grupos de WhatsApp ou até os que vão na manifestação contra o Feminicídio, vestidos de saia e unhas pintadas, porém, são os primeiros a cair em cima das mulheres quando o amiguinho é acusado de assédio, “mas essa aí é louca”, ele disse, “essa dá problema com todo mundo”, “essa não é uma mulher confiável”, “temos que apurar o que realmente aconteceu”... as máscaras caem rapidinho; e vêm caindo a cada evento que eu participo... não tem sido fácil, mas entrei no mood de que é livramento, é limpeza... Cheguei, inclusive, a ouvir de alguns “feministos” que está muito difícil ser homem, que existe desafio constante, que não sabem mais como performar para agradar ou chegar em uma mulher... percebem a gravidade desta fala?, volta lá, lê de novo... não é desconstrução, é performance, é raso, é fraco, e na primeira oportunidade ele volta pra prioridade de ser um homem que erra e não é cobrado por isso. 


Então, neste mês de março, não aceitem flores, não aceitem migalhas, não aceitem performances. O combate ao feminicídio e a cultura do estupro é de responsabilidade coletiva, mas é só a gente que está lutando e nada vai mudar se a gente não denunciar formalmente os casos, seja qualquer seja ele, cansa, dá trabalho, machuca porque faz a gente reviver o ocorrido e as vezes ainda é questionada e pós denuncia ainda tem o medo de retaliação e a insegurança sobre a eficácia da proteção após a denúncia. Mas a maneira como tem sido precisa nos proteger melhor pois eles têm o pacto deles e se protegem. 


Em meio a tanta angústia, também é preciso lembrar do caminho que já percorremos. Houve avanços, houve mudanças reais, e nada disso foi por acaso — foi fruto de mulheres que se organizaram, se posicionaram e se recusaram a aceitar o que parecia imutável. Reconhecer isso não apaga os desafios do presente, mas nos lembra que nossa força sempre esteve na capacidade de caminhar juntas.


Se há uma nova onda de reações, como a ascensão de discursos redpill, ela também nos convoca a repensar estratégias. Talvez seja o momento de experimentar outras formas de enfrentamento: devolver o desconforto a quem sempre o produziu, descentralizar o homem das narrativas que organizam nossas vidas, reduzir a dependência da validação romântica masculina e assumir, com mais radicalidade, o protagonismo sobre nossos próprios desejos e escolhas.


Não se trata de excluir homens das nossas vidas, nem de negar o afeto ou o amor. Trata-se de reorganizar a rota. De construir uma existência em que a felicidade não dependa de um relacionamento, mas em que o relacionamento seja apenas uma possibilidade entre tantas. Que seja escolha, nunca necessidade.


Porque quando uma mulher entende que sua autonomia é que rompe com o ciclo de violência, diminui sua vulnerabilidade e dependência do agressor. Muda a forma como ela se sente em sua vida, muda a forma como ela ama — muda também a forma como o mundo precisa aprender a se relacionar com ela. E talvez seja justamente aí que comece a próxima transformação.


Contem comigo sempre,


Bruna Romanato

1 comentário


Leo Menezes
Leo Menezes
há um dia

Muito bom o texto, Bruna!! Muito importante trazer esses pontos e nos fazer repensar nosso papel também. Enquanto homem, é importante ter essa percepção, e saber como estar junto nessa luta e no apoio à vocês e na diminuição do feminicídio e na violência que vocês sofrem todo dia! Contem comigo sempre, no que precisar...

Curtir
bottom of page